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Vírus que começa como “resfriado” já levou mais de 37 mil brasileiros a hospitais em 2026

Com alta de casos graves no país, especialista chama atenção para evolução rápida de vírus causada pelo VSR e pede atenção à alta de casos graves em bebês

Redação ABCD Jornal
Última atualização: 05/05/2026 10:13
Por Redação ABCD Jornal
Publicado 05/05/2026
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Vírus que começa como “resfriado” já levou mais de 37 mil brasileiros a hospitais em 2026
Vírus que começa como “resfriado” já levou mais de 37 mil brasileiros a hospitais em 2026. Foto: Divulgação

O que parece apenas uma tosse leve ou um nariz escorrendo tem sido, na prática, a porta de entrada para um cenário que preocupa especialistas em todo o país. Em 2026, o Brasil já contabiliza mais de 37 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), muitos deles em crianças pequenas, justamente o público mais vulnerável às complicações da bronquiolite.

O dado é do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, divulgado em abril, e revela um avanço consistente das internações em bebês de até 2 anos em quatro das cinco regiões do país. O principal responsável por esse crescimento é o vírus sincicial respiratório (VSR), já reconhecido como uma das principais causas de bronquiolite e hospitalização infantil.

Só neste ano, foram notificados 37.244 casos de SRAG, sendo que 15.816 tiveram confirmação de vírus respiratórios. Entre eles, o VSR responde por 17,4% das infecções, mantendo-se como um dos protagonistas dos quadros mais graves em crianças pequenas.

Além disso, o boletim mostra que 14 estados brasileiros estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com tendência de crescimento nas últimas semanas, um indicativo de pressão crescente sobre os serviços de saúde.

Para a infectologista pediátrica Carolina Brites, o dado reforça a necessidade de atenção redobrada dentro de casa. “A bronquiolite é uma doença que pode começar de forma muito parecida com um resfriado comum, mas evolui rapidamente. Em questão de 24 a 48 horas, o quadro pode se agravar bastante”, explica.

Segundo a médica, os primeiros sinais costumam incluir coriza, tosse seca e febre baixa. “O que preocupa é quando começam os sinais de esforço respiratório. A criança passa a respirar mais rápido, com dificuldade, e muitas vezes os pais percebem a movimentação da barriguinha”, detalha.

Atenção redobrada com bebês

Os dados mais recentes confirmam o que já é observado na prática clínica: os bebês estão no centro desse cenário. De acordo com a Dra. Brites, crianças pequenas têm vias respiratórias mais estreitas e um sistema imunológico ainda em desenvolvimento, o que favorece a evolução para quadros mais graves.

“Os bebês, principalmente os menores de um ano, têm mais dificuldade para lidar com a inflamação causada pelo vírus. Por isso, eles podem piorar muito rápido e, em alguns casos, precisar de internação”, alerta.

A especialista destaca ainda que alguns grupos apresentam risco ainda maior, como prematuros, crianças com histórico de complicações ao nascer ou com doenças pulmonares e cardíacas. “Esses pacientes exigem um olhar ainda mais atento, porque têm maior chance de desenvolver formas graves da doença.”

Outro ponto de atenção é o ambiente. A maior circulação de vírus respiratórios durante os meses mais frios, associada a locais fechados e pouca ventilação, contribui diretamente para o aumento dos casos. “Ambientes com aglomeração e pouca circulação de ar facilitam muito a transmissão”, afirma.

Apesar do avanço da doença, a infectologista ressalta que a prevenção continua sendo uma ferramenta essencial. “Medidas simples fazem a diferença: lavar bem as mãos, evitar contato com pessoas gripadas, manter os ambientes ventilados e redobrar os cuidados com bebês pequenos.”

Ela também chama atenção para os avanços recentes na proteção contra o VSR. “Hoje já temos estratégias importantes, como a vacinação de gestantes, que ajudam a proteger o bebê nos primeiros meses de vida. Isso representa um avanço significativo.”

O tratamento da bronquiolite, segundo a médica, é baseado em suporte clínico. “Não existe um tratamento específico contra o vírus. Em casos leves, o acompanhamento pode ser feito em casa, mas quadros mais graves podem exigir oxigênio e internação hospitalar”, explica.

Diante do cenário atual, a orientação é clara: observar atentamente os sinais da criança. “Mudanças no comportamento, cansaço, dificuldade para mamar ou respirar são sinais de alerta. Quanto mais cedo essa piora for identificada, maiores são as chances de evitar complicações”, finaliza a Dra. Brites.

Sobre Carolina Brites

Carolina Brites concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP.

Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.

Tags:hospitaisresfriadovírus

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