
Em novo ataque à integridade dos processos eleitorais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acusar o sistema de votação norte-americano de permitir fraudes e utilizou o cenário político do Brasil como ponto de comparação durante discurso em um comício realizado no Texas.
Diante de apoiadores, o republicano fez duras críticas à lisura do processo eleitoral de seu país e estendeu seus questionamentos à recente eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Sabe, durante anos eu simplesmente não conseguia acreditar nisso, porque eles sabem trapacear tão bem que achei que nem precisassem fazer isso. São os maiores trapaceiros eleitorais da história, eu acho, embora o Brasil também esteja se saindo muito bem, não é? Você viu aquela situação? Não foi nada legal. Quer dizer, eu não tomei partido, mas não gostei… Não pareceu muito bom”, declarou o mandatário norte-americano.
Escalada no tom das declarações
A manifestação ocorre no dia seguinte a declarações em que o norte-americano já havia colocado sob suspeita a disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), classificando o resultado no Brasil como “mais uma eleição fraudulenta”. Na ocasião, o líder republicano argumentou que o pleito transmitiu uma imagem negativa internacionalmente e defendeu que processos eleitorais devam ser incontestáveis. Apesar das ressalvas, Trump declarou manter uma boa relação pessoal e gostar do presidente eleito brasileiro.
As falas recentes sinalizam uma mudança na postura adotada pelo líder norte-americano no início do pleito no Brasil, quando ele se referiu à eleição como um evento importante e elogiou o país, chegando a definir a votação recebida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno como uma “grande vitória”.
Contexto das eleições de meio de mandato
A intensificação dos discursos de Trump contestando sistemas eleitorais ocorre no momento em que os Estados Unidos se aproximam das midterms (eleições de meio de mandato), marcadas para o dia 3 de novembro. A votação será decisiva para a governabilidade do atual mandato, pois renovará a totalidade das vagas da Câmara dos Representantes, um terço do Senado e o comando de 36 governos estaduais.
