
Na manhã desta quinta-feira (12/3), o centro da capital paulista foi palco de uma grande manifestação da categoria dos eletricitários. Convocado pelo Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, o ato reuniu trabalhadores próprios e terceirizados da Enel, na Praça do Patriarca, em frente à sede da Prefeitura. O objetivo central é alertar para os riscos da “caducidade” (rompimento antecipado) do contrato de concessão, medida que, segundo a categoria, pode resultar em milhares de demissões.
Mobilização de Peso no ABC
A região do Grande ABC teve participação decisiva no protesto. Diversas bases de operação e empresas prestadoras de serviço da região enviaram delegações em ônibus fretados pelo sindicato para reforçar o coro contra a incerteza jurídica no setor.
Trabalhadores de cidades como Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema e Mauá marcaram presença, demonstrando a capilaridade da mobilização. Entre as empresas do ABC que enviaram representantes estão:
• 3C Services (São Bernardo do Campo)
• STN e Base Enel (São Caetano do Sul)
• Conecta e Base Enel (Santo André)
• Engeltmig (Mauá)
• Base Enel (Diadema)
Risco aos Empregos e Aposentados
O presidente do sindicato, Eduardo Annunciato, conhecido como Chicão, destacou que a caducidade é apresentada como uma solução política rápida, mas que ignora o fator humano. “A caducidade pode gerar consequências graves para trabalhadores, aposentados e para o fornecimento de energia. Defendemos fiscalização rigorosa e investimentos, mas com a preservação dos empregos”, afirmou.
Além do risco imediato de demissões em massa pela extinção do CNPJ da concessionária, o sindicato alerta para o impacto nos:
• Planos de Saúde: Possível interrupção de assistência para ativos e aposentados.
• Fundos Previdenciários: Incerteza sobre a continuidade dos aportes e compromissos financeiros.
• Direitos Adquiridos: Perda de acordos coletivos vigentes em caso de troca abrupta de gestão.
O Contexto Político
O protesto ocorre em um momento de alta tensão entre as esferas de governo. Enquanto a Prefeitura de São Paulo pressiona pelo fim do contrato devido a falhas no serviço, o Ministério de Minas e Energia e a Aneel analisam a viabilidade técnica da medida. Recentemente, a Aneel adiou a análise do processo, e o ministro Alexandre Silveira criticou o que chamou de “politicagem” em torno do tema.
Posicionamento da Enel
Em nota, a Enel Distribuição São Paulo classificou a mobilização como uma iniciativa legítima do sindicato em defesa dos direitos trabalhistas. A companhia assegurou que, apesar da assembleia e do ato na região central, a operação do sistema elétrico na capital e região metropolitana não foi afetada, com força de trabalho suficiente para manter o serviço.
