
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (13), que o Brasil assuma a liderança da transição energética global por meio de investimentos robustos em biocombustíveis e tecnologias limpas. Durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul (SP), o presidente conheceu laboratórios de testes e destacou que, embora o país vá continuar pesquisando e utilizando o petróleo, a meta de longo prazo é preparar a humanidade para um futuro sem combustíveis fósseis.
A declaração ocorre em um momento de alta tensão internacional. Lula criticou os impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio e questionou a legitimidade das recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a cobrança de taxas no Estreito de Ormuz.
O impacto da guerra no prato dos brasileiros
De acordo com o presidente, a instabilidade internacional afeta diretamente o custo de vida no Brasil. “O preço da guerra está chegando no preço do feijão aqui no Brasil. Está chegando no preço do arroz, do tomate e da cebola, porque tornou o combustível mais caro”, afirmou Lula.
Para proteger os consumidores internos, o governo federal decidiu aumentar em 12% a tributação sobre o petróleo exportado pelo país. O objetivo da medida é subsidiar os preços locais e conter a escalada inflacionária dos alimentos provocada pela alta do barril no cenário externo.
Biocombustíveis e carros híbridos
Como alternativa estrutural à dependência do petróleo, Lula apontou a diversidade agrícola do país para a produção de biodiesel a partir de oleaginosas como macaúba, dendê, mamona, pinhão-manso e soja. Outro ponto forte defendido pelo presidente é a produção de veículos híbridos que combinam eletricidade e etanol.
O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, endossaram o discurso. Alckmin lembrou que o Brasil já adota uma mistura de 32% de etanol na gasolina, uma das maiores taxas do mundo. Já Silveira destacou marcos como o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) e a recente aprovação da Lei do Combustível do Futuro.
Testes rumo aos 25% de biodiesel
O Instituto Mauá de Tecnologia foi escolhido pelo governo federal para liderar as pesquisas que vão avaliar a viabilidade de elevar a mistura obrigatória de biodiesel no óleo diesel dos atuais 15% para até 25%. Conduzida sob diretrizes do Ministério de Minas e Energia, a iniciativa busca modernizar o setor de transportes, reduzir drasticamente as emissões de carbono e melhorar a qualidade do ar nos centros urbanos.
Educação e inclusão social
Lula também aproveitou a agenda no ABC paulista para destacar a educação como pilar do desenvolvimento nacional. O presidente relembrou o atraso histórico do país na criação de suas primeiras universidades e os reflexos da escravidão na estrutura social brasileira.
“O Estado tem como obrigação garantir que todas as pessoas (…) tenham direito de disputar uma vaga em uma universidade”, declarou o presidente, que lembrou ainda a abertura das inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) nesta terça-feira (14).
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