
Nesta segunda-feira (10), Rogério Caboclo, ex-presidente da CBF, anunciou oficialmente sua candidatura à presidência do São Paulo. Esse anúncio inicia a corrida eleitoral no clube, que acontece na primeira quinzena de dezembro. Caboclo já está mobilizando o apoio de 55 conselheiros, que é a quantidade necessária para tornar sua candidatura viável.
Caboclo é o primeiro nome oficial na disputa. Nos bastidores, Marcelo Portugal Gouveia, filho do famoso ex-presidente do São Paulo, é mencionado como um possível candidato da oposição. Adilson Alves, com o apoio do presidente em exercício Harry Massis, seria o candidato da situação.
Histórico e vivência
A longa trajetória de Caboclo no futebol, que inclui cargos na Federação Paulista, no clube São Paulo e na CBF, foi lembrada na nota oficial da sua assessoria. Na federação nacional, ele se tornou presidente, mas foi destituído do cargo devido a acusações de assédio sexual — que ele sempre negou. Os processos judiciais foram encerrados sem condenação após o afastamento.
O ex-dirigente destaca, na briga interna, a experiência administrativa, o conhecimento das estruturas do futebol e os resultados de gestão.
Confira a nota oficial de Rogério Caboclo
Rogério Caboclo decidiu colocar seu nome à disposição para disputar a presidência do São Paulo Futebol Clube. A construção de sua candidatura terá como principais fundamentos a experiência acumulada como dirigente e os resultados obtidos nos diferentes cargos que ocupou no futebol.
Rogério Caboclo pretende disputar internamente a indicação da oposição, que avalia ter condições de chegar fortalecida à eleição diante do atual cenário de crise reputacional, financeira e esportiva do clube.
Rogério Caboclo tem intensificado as conversas com conselheiras e conselheiros. A estratégia é utilizar experiência administrativa, conhecimento das estruturas do futebol e resultados de gestão como elementos de diferenciação na disputa interna.
Advogado e administrador de empresas, Caboclo é sócio do São Paulo desde 1990 e conselheiro vitalício desde 1998. Foi diretor-adjunto de Marketing e diretor financeiro do clube entre 2000 e 2002. Quando assumiu a Diretoria Financeira, o São Paulo apresentava um déficit relevante. Após dois anos de medidas de controle financeiro, redução de despesas e renegociação de dívidas, Caboclo deixou o cargo com o clube registrando saldo em caixa. Nesse período, o São Paulo venceu o Campeonato Paulista de 2000 e a Taça Rio São Paulo de 2001, além de revelar jogadores como Kaká e Júlio Batista.
Sua trajetória de mais de duas décadas de atuação no futebol também inclui a vice-presidência da Federação Paulista de Futebol e diferentes funções na Confederação Brasileira de Futebol, onde foi CEO e presidente. Caboclo foi diretor de Relações Institucionais do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e integrou os comitês executivos da FIFA e da CONMEBOL.
Os números de sua passagem pela CBF merecem destaque. Entre 2010 e 2019, a receita total da entidade passou de R$ 263 milhões para R$ 957 milhões, com R$ 190 milhões de superávit, enquanto os ativos cresceram de R$ 229 milhões para R$ 1,248 bilhão. Os investimentos diretos no futebol alcançaram R$ 540 milhões.
Entre as realizações no período da CBF também estão a implantação da Central Única do VAR e os investimentos na qualificação e remuneração da arbitragem, além da criação da CBF Social, School e Academy, voltada à formação e à capacitação de profissionais do futebol no Brasil. Na área de Branding, foi realizada a reengenharia da marca da entidade com a alteração do escudo da seleção.
Durante a pandemia, sua gestão implantou protocolos sanitários que permitiram a continuidade das competições nacionais, contribuindo para reduzir os impactos financeiros que a paralisação poderia provocar nos clubes.
No futebol feminino, muito foi desenvolvido, como a ampliação dos investimentos, a inclusão nos regulamentos da obrigatoriedade de manutenção de equipes profissionais femininas pelos clubes participantes da Série A do Campeonato Brasileiro e a equiparação da remuneração entre homens e mulheres convocados para as seleções brasileiras.
Sua gestão também foi marcada por resultados esportivos. Foram nove títulos no período, média de uma conquista a cada 3 meses, com ênfase para as conquistas da Copa América em 2019, Mundial Sub 17 em 2019 e as Olimpíadas em 2021. Resultados suportados por performance, entre todas as competições disputadas foram 70,21% de vitórias, 17,73% de empates e 12,06% de derrotas.
Para o São Paulo Futebol Clube, o projeto está organizado em cinco frentes: governança, finanças, futebol profissional, categorias de base e clube social. Entre as propostas estão o fortalecimento das estruturas de compliance e gestão de riscos, a reorganização do perfil da dívida, a utilização de tecnologia e inteligência de mercado na formação e contratação de atletas e a adoção de maior responsabilidade financeira na condução do futebol. A plataforma de gestão será oportunamente divulgada.
As acusações apresentadas contra Rogério Caboclo durante sua passagem pela CBF foram examinadas pela Justiça e não resultaram em condenação criminal. Em um dos casos, o Ministério Público propôs uma transação penal, posteriormente homologada pela Justiça, que não implicou reconhecimento de culpa e estabeleceu a destinação de R$ 100 mil a duas organizações não governamentais — uma dedicada ao combate à violência contra a mulher e outra ao cuidado de animais abandonados. Nenhum valor foi pago à denunciante. Os demais procedimentos foram arquivados ou encerrados pela Justiça. De acordo com as certidões judiciais expedidas, Caboclo não responde a nenhum processo criminal.