
A Estrela, empresa que moldou o mercado infantil brasileiro ao longo de quase nove décadas, informou nesta quarta-feira (20) que protocolou um pedido de recuperação judicial. A medida foi tomada em conjunto com outras sete empresas de seu grupo econômico, incluindo a Editora Estrela Cultural e a Estrela Distribuidora de Brinquedos.
O pedido foi realizado na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais. Até o momento, o valor total da dívida que fará parte do processo não foi divulgado pela companhia.
Em comunicado oficial enviado ao mercado, a Estrela explicou que o objetivo da medida é reorganizar seu endividamento, preservar os empregos e garantir a continuidade de suas operações e o relacionamento com clientes e fornecedores. Segundo a legislação brasileira, a atual administração permanece no comando das atividades enquanto desenha o plano de reestruturação que será submetido à aprovação dos credores.
Juros altos e o desafio do mundo digital
De acordo com a fabricante, o cenário econômico dos últimos anos impôs severas pressões sobre a sua estrutura financeira. A Estrela apontou três fatores principais para a crise atual:
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Taxas de juros elevadas: que encarecem o custo do capital;
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Restrição de crédito: maior dificuldade para captar empréstimos no mercado;
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Mudança no perfil de consumo: a migração expressiva do público infantil para opções de entretenimento digital, como jogos virtuais e vídeos online.
O que é Recuperação Judicial? É um mecanismo jurídico que permite a empresas em crise suspenderem temporariamente a cobrança de certas dívidas para evitar a falência. Durante esse período, a companhia ganha fôlego para apresentar um plano de reestruturação financeira e continuar operando normalmente.
Uma história que atravessa gerações
Fundada em 1937 como uma modesta fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira, a Estrela se transformou em uma das marcas mais icônicas do país. Em 1944, fez história ao ser uma das pioneiras a abrir capital na bolsa de valores brasileira.
Nas décadas seguintes, a empresa ditou as tendências do mercado nacional ao lançar produtos que se tornaram verdadeiros fenômenos culturais, como:
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Banco Imobiliário: Lançado nos anos 1940, consolidou-se como o jogo de tabuleiro mais famoso do país.
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Genius: O inovador “computador que fala” (e dita sequências de cores e sons) nos anos 1980.
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Susi, Falcon e Comandos em Ação: Bonecos que ditaram o ritmo do mercado de brinquedos por gerações.
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Autorama e Super Massa: Sinônimos de velocidade e criatividade na infância de milhões de brasileiros.
Disputas e transições de mercado
A trajetória da Estrela também foi marcada por grandes batalhas comerciais. No final dos anos 1990, o fim do contrato com a americana Mattel — para quem a Estrela fabricou a boneca Barbie no Brasil por cerca de 30 anos — forçou a empresa a reviver a boneca Susi para competir no mercado nacional.
Mais recentemente, a fabricante se envolveu em uma longa disputa judicial com a multinacional Hasbro pelo pagamento de royalties de cerca de 20 produtos clássicos. Atualmente, o litígio está limitado aos direitos do Banco Imobiliário.
Mesmo enfrentando as turbulências financeiras e a forte concorrência dos pixels contra o plástico, a Estrela — que mantém fábricas em São Paulo, Minas Gerais e Sergipe — reforçou que manterá suas fábricas e vendas operando normalmente ao longo de todo o processo de recuperação.
