
Nesta segunda-feira (12), o ex-diretor de base do Corinthians, Claudinei Alves, criticou duramente o Palmeiras e seu diretor de base, João Pedro Sampaio. Segundo Alves, Sampaio usa sua influência e posição no Movimento Clube Formador (MCF) para beneficiar o próprio clube, em atitude que classificou como “grande hipocrisia”.
Contexto do caso
A polêmica envolve a exclusão do Corinthians do MCF, ocorrida após o clube alvinegro contratar um atleta da categoria sub-14 que havia deixado o Palmeiras. A ação violou o código de ética do movimento, que proíbe transferências de jogadores entre 10 e 14 anos entre os clubes participantes.
O Corinthians e o agente do jogador, Pedro Morelli, alegam que o Palmeiras ignorou diversos contatos para oficializar o contrato de formação, o que levou o atleta e seu representante a buscarem outra agremiação.
Na visão do Timão, João Pedro Sampaio teria usado sua posição no MCF para prejudicar o Corinthians. Além disso, com a saída do clube do movimento, Palmeiras e outros associados poderiam contratar jogadores alvinegros dessa faixa etária sem penalidades.
João Pedro Sampaio exerce a função de diretor no MCF, enquanto Carlos Brazil, diretor do Vasco, é o atual presidente, reeleito pela terceira vez.
A exclusão do Corinthians também acarreta um boicote do clube em competições de base organizadas pelo movimento.
Claudinei Alves defendeu que o Corinthians recorra à Justiça para reverter a decisão e reaver seus direitos no âmbito da formação.
Confira a nota oficial do ex-cartola do Corinthians
“Como ex-dirigente de base do Corinthians, é impossível não apontar a hipocrisia escancarada de João Paulo Sampaio. O mesmo que posa de paladino da ética, denunciando o Corinthians ao MCF por um atleta de 14 anos, o mesmo é diretor da base do nosso maior rival e usa sua posição de poder no MCF para beneficiar o Palmeiras e prejudicar rivais na minha opinião.
O MCF, que deveria proteger a formação dos atletas, virou instrumento político. Um “acordo de cavalheiros” seletivo, que exclui o Corinthians, tira o clube de torneios importantes e tenta manchar uma história gigante na base. Não é sobre ética. É sobre controle, conveniência e guerra de narrativas. E quem conhece o bastidor da base sabe muito bem disso.
Diante dos fatos, é importante esclarecer que o atleta objeto da denúncia apresentada por João Paulo ao órgão no qual ele próprio exerce função já possuía vínculo anterior com o Sport Club Corinthians Paulista. À época, foi elaborado e entregue um dossiê completo, contendo toda a documentação necessária, para que a atual gestão pudesse dar continuidade ao caso de forma transparente e respaldada juridicamente.
Entendo que a proposta de acordo apresentada especialmente pelos valores elevados exigidos ao Corinthians não se mostra adequada, razoável ou justa, sobretudo diante do histórico e da documentação existente. Por essa razão, recomendo que a atual gestão busque instâncias superiores, a fim de que o tema seja analisado com imparcialidade, segurança jurídica e respeito aos princípios que regem o futebol formador.
É fundamental que esse processo seja conduzido de maneira correta e equilibrada, garantindo que nenhum clube seja prejudicado por interpretações unilaterais ou por eventuais conflitos éticos de quem está à frente do Movimento Clube Formador (MCF).
O futebol de base exige seriedade, ética e justiça, valores que devem prevalecer acima de interesses individuais ou institucionais.”