
O que inicialmente foi registrado e tratado pelas forças de segurança pública como uma violenta tentativa de latrocínio na principal artéria comercial de São Caetano do Sul revelou-se, após detalhada análise tecnológica, um atentado planejado com características claras de execução. Imagens obtidas pelo sistema municipal de videomonitoramento “Smart Sanca” desmascararam a versão inicial do crime ocorrido no último sábado, dia 27 de junho, na Avenida Goiás, altura do número 600, no bairro Santo Antônio.
Além de mapear a rota de fuga dos atiradores em direção à Avenida Almirante Delamare, no sentido da Capital, os analistas estenderam a varredura do veículo de apoio para os meses anteriores. O resultado revelou uma presença assídua e suspeita do veículo na cidade. O histórico do sistema Ssentry indicou que o Renault Logan branco realizou nada menos do que 96 passagens pelos radares inteligentes do município entre 14 de fevereiro e o dia do crime (27/06).
Chama a atenção dos investigadores a repetição de padrões de itinerário do carro nos meses de abril e maio, com passagens constantes em pontos estratégicos da própria Avenida Goiás e na divisa com Santo André. A polícia civil agora apura se o automóvel já vinha sendo utilizado para traçar a rotina e os horários do policial militar alvejado.
A vítima, um tenente da Rota que estava de folga e em trajes civis, foi alvejada por volta das 11h30 por dois indivíduos em uma motocicleta vermelha enquanto aguardava a abertura de um semáforo. O Relatório de Análise Inteligente, assinado pela coordenação técnica do sistema de monitoramento do município, aponta que não houve qualquer conduta compatível com roubo — como o anúncio do assalto ou a exigência de entrega de pertences e do veículo. Os criminosos aproximaram-se e dispararam diretamente contra o policial, fugindo logo em seguida na contramão das vias.
A reviravolta mais contundente da investigação, no entanto, veio com o rastreamento retrospectivo dos veículos envolvidos. Cruzando dados de sensores de leitura de placas, o Centro de Inteligência identificou um automóvel Renault Logan branco, de placa QXL1A50, atuando diretamente como suporte logístico aos executores. Câmeras de segurança de uma academia na Rua Niterói, onde o PM havia estado momentos antes, flagraram o momento exato em que o condutor da motocicleta desceu para fazer contato e receber orientações de ocupantes do Logan.
O monitoramento provou que, assim que a vítima deixou a academia, a motocicleta com os dois ocupantes e o Renault Logan branco iniciaram uma perseguição conjunta, operando em comboio tático até o ponto escolhido para a abordagem e os disparos.
Cronologia do Veículo de Apoio (Renault Logan) no Dia do Crime:
- 10h19 – Av. Guido Aliberti x Almirante Delamare: Ingresso em São Caetano do Sul vindo de São Paulo, cerca de uma hora antes do crime.
- 10h23 – Rua Baraldi, 829: Circulação na área central e posicionamento estratégico nas proximidades da academia.
- 11h28 – Avenida Goiás, 1980: Captado em fuga pelo sentido Centro-Bairro logo após a execução do ataque.
- 11h29 – Rua Alegre, 347: Evasão oficial do município de São Caetano em direção a Santo André.
O relatório técnico, instruído com imagens detalhadas e as coordenadas geográficas precisas das linhas de deslocamento, foi oficialmente encaminhado às autoridades policiais competentes. O material agora serve como robusto suporte probatório para a individualização das condutas e a identificação formal tanto dos executores da motocicleta quanto dos mandantes ou comparsas que ocupavam o veículo de apoio logístico.
