
Terapias constantes, adaptações diárias, estudos sobre a condição e a defesa ativa dos direitos dos filhos. Muitos são os desafios das mães atípicas. E para aliviar uma rotina que às vezes beira a exaustão, o Cuidar (Complexo Unificado de Inclusão, Desenvolvimento, Apoio e Reabilitação) Jorge Martins Salgado, em São Caetano do Sul, criou o Grupo Escrevivências.
O objetivo é promover o acolhimento e o convívio dos pais e responsáveis por crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento por meio da contação e registro de suas histórias e experiências com os filhos. Escritas em forma de crônicas, são refletidas e dialogadas, proporcionando pertencimento, empatia e solidariedade entre os participantes.
Escrevivência é um jeito de escrever vivências, ou seja, uma forma de registrar as histórias narradas. O conceito foi criado pela escritora Conceição Evaristo, emergindo da experiência de vida da própria autora, profundamente marcada pelas intersecções de gênero, raça e classe social.
“É um método leve de saúde, que traz uma abordagem horizontalizada de promoção de cuidado entre profissionais e participantes”, destaca a terapeuta ocupacional Juliana Morgan, responsável pela aplicação do conceito no Cuidar. “Esse é um espaço de resgate também das histórias individuais de cada participante, indo além de seus lugares de ‘apenas’ cuidadores.”
O grupo se reúne semanalmente para compartilhar e registrar suas vivências. Embora atualmente seja formado exclusivamente por mulheres (mães e avós), é aberto também para homens.
Pacientes e responsáveis têm os nomes alterados nas crônicas para sigilo. “A ideia é que a gente faça um livrinho no final reunindo todas as crônicas do grupo”, finaliza Juliana.
