
A influenciadora digital Malévola Alves, moradora de São Bernardo do Campo, foi detida nesta terça-feira (20) durante uma viagem ao Egito. De acordo com relatos de pessoas próximas, a criadora de conteúdo e uma amiga foram conduzidas a uma delegacia na região de Alexandria e tiveram os passaportes retidos pelas autoridades locais.
Em nota oficial, o Ministério do Interior do Egito informou que duas turistas estrangeiras foram detidas após a circulação de vídeos nas redes sociais em que, segundo o órgão, apareciam fazendo gestos obscenos, insinuações e assediando pedestres nas ruas. A polícia egípcia declarou ainda que as duas admitiram a produção do material com o objetivo de engajar e aumentar as visualizações em seus perfis digitais.
Embora o comunicado oficial não tenha citado os nomes das envolvidas, a confirmação veio por meio da influenciadora Bruna Tivo, amiga de Malévola que também participava da viagem, mas que já se encontra na França. Em suas redes sociais, Bruna relatou estar buscando contato com o grupo detido e apontou preconceito como pano de fundo para a ação policial.
“Não estou no Egito com as meninas mais. Tive de voltar pra Paris pra resolver algumas coisas”, explicou Bruna, alegando que o grupo era gravado constantemente por moradores locais. “Jogaram vídeos nossos no Egito em um grupo do Facebook.”
Contexto e investigação
O caso da influenciadora de São Bernardo do Campo foi encaminhado ao órgão competente egípcio, que assumiu as investigações.
O Egito é reconhecido internacionalmente por manter um ambiente hostil à comunidade gay, respaldado pelo conservadorismo social e pela rígida atuação estatal. Embora o código penal egípcio não criminalize expressamente a homossexualidade ou a identidade de gênero trans, dispositivos legais genéricos sobre “libertinagem”, “atentad0 ao pudor” e suposta violação de “valores familiares” são frequentemente aplicados pelas autoridades locais para deter e processar membros da comunidade.
