
Preso na noite de segunda-feira (31) em São Bernardo do Campo após se passar por magistrado durante uma abordagem policial, Selmo dos Santos Pereira acumula um histórico de problemas com a Justiça que se estende por mais de uma década. Atualmente estudante de Direito, ele foi flagrado pela Polícia Militar apresentando um documento adulterado e alegando ser juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André. Por trás do episódio recente, contudo, revela-se uma trajetória marcada por condenações judiciais e tentativas de inserção na política paulista calcadas em dados falsos.
Em 2010, Selmo tentou disputar uma vaga de deputado federal pelo antigo Democratas (DEM) – atual União Brasil. Naquele pleito, chamou a atenção da imprensa ao declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 91,6 milhões, o sexto maior entre cerca de 5.700 candidatos no país. Do valor total, R$ 80 milhões correspondiam ao suposto valor do Centro Universitário Livre do Meio Ambiente (Unilma), instituição da qual se dizia “reitor fundador”.
A investigação eleitoral, porém, apontou que a suposta universidade funcionava no endereço de um casebre na Zona Leste da capital — onde Selmo residia — e não possuía nenhum registro no Ministério da Educação (MEC). A candidatura acabou impugnada pela Procuradoria Eleitoral de São Paulo, pois ele se encontrava preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros desde o início daquele ano, cumprindo pena por estelionato.
Memes
Alunos da Faculdade de Direito de São Bernardo usaram as redes sociais para publicar video do falso juiz preso no ABC. O estelonatario estudava na instituição.
Nas redes sociais foram publicados vários memes do aluno.
Promessa de R$ 1 bilhão e atuação ilegal como advogado
Após cumprir a pena, Selmo voltou às urnas na eleição municipal de 2012, desta vez concorrendo à prefeitura de Juquitiba, na Região Metropolitana de São Paulo, pelo Partido Republicano Progressista (PRP). Com uma declaração de bens ajustada para R$ 2,2 milhões, ele registrou apenas 44 votos na cidade.
Durante a campanha de 2012, gravou vídeos afirmando ser proprietário de um sítio no município e recusou coligações, classificando adversários como um “covil de administradores”. Em discurso aos eleitores, chegou a alegar ter se reunido com a então presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, afirmando que ela teria prometido R$ 1 bilhão para aplicar em seus projetos na cidade — agenda que nunca existiu nos registros oficiais da Presidência da República.
A atuação fraudulenta de Selmo também alcançou a área jurídica. Sem registro de advogado na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), utilizava uma carteira de estagiário para captar clientes como se fosse profissional habilitado. Em um dos casos, foi condenado pela Justiça paulista a indenizar em R$ 50 mil uma cliente de quem havia cobrado R$ 30 mil para atuar indevidamente em uma ação de despejo.
Com a nova prisão em flagrante por uso de documento falso e estelionato, o investigado permanece à disposição da Justiça no ABC Paulista.
