
Sob forte clima de comoção, consternação e pesar, familiares e amigos se reúnem neste domingo (02/08) para prestar as últimas homenagens às três vítimas que perderam a vida tragicamente na manhã de sábado (1º), dentro da empresa Bombirl, em São Bernardo do Campo. Um funcionário terceirizado tirou a vida de três colegas de trabalho na manhã deste sábado (01/08).
As notas oficiais de falecimento divulgadas pelos familiares detalham os horários de velório e sepultamento de José Guilherme Victoriano de Moura, Edvaldo Santos da Silva e Douglas de Souza Vieira.
Homenagens no Cemitério Municipal do Carminha
Duas das vítimas serão veladas e sepultadas no Cemitério Municipal do Carminha, localizado no Bairro dos Casa:
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José Guilherme Victoriano de Moura (54 anos): O velório terá início às 11h deste domingo. O sepultamento está agendado para as 14h no mesmo local (Rua Leonel Guarnieri, 01, Bairro dos Casa).
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Douglas de Souza Vieira (39 anos): As homenagens começam às 11h. O sepultamento ocorrerá no período da tarde, às 15h15, no Cemitério Municipal do Carminha.
Despedida no Cemitério Jardim da Colina
A despedida de Edvaldo Santos da Silva (44 anos) será realizada no Cemitério Jardim da Colina:
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Edvaldo Santos da Silva: O velório terá início às 10h deste domingo. O sepultamento está marcado para as 16h no Cemitério Jardim da Colina (Rua Jardim da Colina, 265, Jardim Petroni).
Mensagens de conforto e apoio
Nas redes sociais e nos comunicados de despedida, parentes e amigos manifestaram mensagens de carinho, fé e memória aos trabalhadores. Palavras de consolo pedem força às famílias para enfrentar este momento de dor inestimável.
Entenda o caso
Uma manhã de sábado marcada por tristeza e luto. O início do expediente na fábrica da Bombril, localizada na Avenida Marginal Direita Anchieta, em São Bernardo do Campo. Claudio Henrique da Silva promoveu um ataque com facas no setor operacional, tirando a vida de três colegas de trabalho antes de se render à Polícia Militar e, horas depois, tirou a própria vida dentro da carceragem do 2º Distrito Policial da cidade.
A dinâmica do crime foi reconstituída pela Polícia Civil a partir do depoimento presencial de quatro testemunhas que presenciaram a ação do agressor.
O início silencioso e o primeiro corpo
Pouco antes das 6h da manhã, os funcionários do turno organizavam-se para dar início às atividades diárias. O ambiente calmo foi subitamente quebrado quando a testemunha J.S.C., que preenchia uma planilha no local, percebeu uma movimentação atípica e correria.
Ao se afastar da área inicial para verificar o que ocorria, encontrou José Guilherme Victoriano de Moura (54 anos) caído na entrada do banheiro, ensanguentado e já sem vida. Ninguém testemunhou o momento exato da abordagem a Guilherme, que foi a primeira vítima no trajeto do agressor.
A perseguição nas escadas e frases de fúria
A sequência seguinte de agressões ocorreu diante de diversos funcionários que chegavam para o trabalho ou encerravam o turno da noite.
A testemunha M.C.M.S. relatou ter visto Claudio caminhar em direção a Douglas de Souza Vieira (39 anos). Inicialmente, pensou tratar-se de um desentendimento banal, até notar que a vítima começava a jorrar sangue.
Tentando escapar, Douglas correu em direção à escadaria de acesso ao corredor inferior, mas tropeçou e caiu durante a descida. Alcançado no solo, continuou a ser esfaqueado sucessivamente. Segundo a testemunha W.G.M.B., Claudio desferia os golpes pelas costas e chuta a cabeça da vítima, parando apenas quando Douglas não demonstrava mais qualquer reação.
Testemunhas afirmam que, a cada estocada, o agressor repetia pausadamente e em tom frio:
“Vai mexer com quem está quieto?” e “Vai tirar brincadeira comigo?”.
Tentativa de heroísmo e apelo desesperado
Ao presenciar o ataque contra Douglas, o funcionário Edvaldo Santos da Silva (44 anos) tentou conter o agressor de forma desesperada. Edvaldo usou uma cadeira do setor como escudo e tentou arremessá-la contra Claudio para forçá-lo a soltar a vítima.
Ao se aproximar para intervir, Edvaldo foi atingido por um golpe profundo no lado esquerdo do peito. Ele soltou a cadeira e tentou recuar subindo os degraus. A testemunha W. correu para socorrê-lo, pressionando o ferimento para conter a hemorragia. Antes de desfalecer, Edvaldo implorou:
“Me ajuda. Eu tenho dois filhos. Me socorre, pelo amor de Deus!”.
Busca por novos alvos e alerta à polícia
Após deixar Douglas desacordado, Claudio não demonstrou pânico e passou a procurar por outros funcionários do setor de avaria. A testemunha F.S.S., que acompanhava a cena à distância e gritava para que o agressor parasse, viu Claudio virar em sua direção e perguntar em tom ameaçador:
“Cadê o Fúlvio? Ele não é brabão? Cadê você, Fúlvio? Cadê o cara da avaria?”.
Percebendo a ameaça, F.S.S. correu para os fundos da fábrica, localizou o colega Fúlvio e alertou-o para que fugisse imediatamente. Enquanto corria para a portaria principal para avisar os seguranças, F.S.S. acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM – 190) quatro vezes.
Rendição e desfecho na delegacia
A primeira guarnição da Polícia Militar (viatura M06213) a chegar à fábrica encontrou um cenário devastador. Os óbitos de José Guilherme, Edvaldo e Douglas foram atestados no local pelas equipes do SAMU entre 6h38 e 6h42.
Claudio foi localizado sentado a cerca de cinco metros do corpo de Edvaldo, empunhando uma faca. Ele afirmou que só entregaria a arma para os policiais. Ao receber ordem de prisão, jogou o objeto no chão, colocou as mãos na cabeça e rendeu-se sem oferecer resistência. A perícia técnica apreendeu duas facas utilizadas no crime.
Em depoimento prestado no plantão policial, colegas descreveram Claudio como um funcionário “quieto, assíduo e cumpridor de suas obrigações”, ressaltando nunca ter presenciado episódios diretos de conflito ou bullying contra ele, levantando a hipótese de um surto psicótico grave.
Por volta das 8h30, enquanto os depoimentos eram colhidos no 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, os agentes constataram que Claudio usou a própria calça para se enforcar na carceragem. Manobras de ressuscitação foram executadas imediatamente, mas o óbito foi confirmado no local.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil e acompanhamento da Corregedoria.
