O caso da jovem Gabriella Vitória Souza Mendes, de 19 anos, que acordou em uma unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital de Urgência de São Bernardo e descobriu ter sido vítima de uma brutal tentativa de feminicídio por parte do ex-companheiro, J., ganhou um novo e alarmante capítulo. Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, Gabriella relatou estar vivendo sob profundo pânico e sentimento de abandono institucional após o agressor ter sido colocado em liberdade no último dia 1º de julho.
“Fiquei em coma por quase 4 dias, entubada no Hospital de Urgência (HU), e agora simplesmente a Justiça deixou ele na rua. Até o julgamento ele é uma ameaça para mim, e nada se resolve”, desabafou a jovem.
J. havia sido preso em flagrante no dia do crime, 2 de maio, mas foi solto após passar apenas dois meses na prisão. De acordo com a vítima, a defesa do agressor tenta desqualificar a gravidade do caso. “O advogado dele está determinando que isso não foi uma tentativa de feminicídio, apenas lesão leve”, contesta.
Fuga para o interior, desemprego e ameaças
Com a soltura do ex-companheiro, Gabriella foi obrigada a abandonar sua vida em São Bernardo do Campo. Tomada pelo medo, ela pediu demissão do emprego de operadora de caixa em uma distribuidora de bebidas, onde trabalhava após ter atuado por mais de três anos como atendente de lanchonete, e fugiu para o interior do estado.
A jovem agora vive escondida na casa de parentes, mas afirma que a sensação de segurança é inexistente. “Ele está sem tornozeleira eletrônica e pode sair da cidade por sete dias.
Gabriella mostrou à reportagem mensagens de WhatsApp em que o homem deixava claro que iria tirar a vida dela: “Ele na rua pode terminar o que não conseguiu. Ele deixava bem claro que iria me matar”.
Agressões
Gabriella e J. mantiveram um relacionamento de quase cinco anos, do qual nasceu um filho que hoje tem 8 meses de idade. A jovem revelou um detalhe ainda mais cruel sobre a madrugada do crime: “No dia do acontecimento, ele usou meu filho de refém”.
Ela conta ainda que o agressor chegou a registrar a própria barbárie. “Tem até vídeos que ele me mandou depois de me agredir, em que eu estava inconsciente. Também tem os depoimentos policiais”, afirma. Quando recebeu alta do hospital, a jovem relata que ainda precisou lidar com provocações da família do acusado.
Desamparo jurídico e clamor por justiça
Além da violência física e psicológica, Gabriella relata ter enfrentado o desamparo do próprio sistema judiciário no início do processo. “Tiveram várias audiências… A primeira audiência me deixaram fazer sozinha, não colocaram nenhum defensor público. Eles não explicam, não falam nada.”
Questionada sobre o que mais precisa neste momento de extremo isolamento e medo, Gabriella é categórica: não quer apenas se esconder, quer a garantia de que o agressor responderá pelo crime atrás das grades. “Eu quero que ele fique preso e pague pelo que fez. Quero justiça”, concluiu.
