
A colisão violenta na Rodovia Castello Branco, na altura de Osasco, interrompeu tragicamente os planos de uma família e gerou imensa comoção no Grande ABC. Eleandro Almeida Repeker, de 36 anos, morador do bairro do Rudg Ramos, em São Bernardo do Campo e funcionário há 17 anos da montadora Scania, faleceu no último domingo (05/07), em um grave acidente de carro. Ele estava acompanhado de sua namorada, Luana Carrilho, de 32 anos, e da filha dela, Ana Luiza, de apenas 5 anos, que também não resistiram aos ferimentos após o veículo em que estavam, um Renault Kwid alugado, ser atingido na traseira por um condutor embriagado em alta velocidade e pegar fogo imediatamente. O enterro ocorreu nesta quinta-feira (08/07).
O trágico episódio gerou forte revolta e mobilizou parentes e amigos em duas regiões do estado. Devido à gravidade do incêndio provocado pelo impacto, o processo de identificação oficial das vítimas demandou exames periciais complexos, como análise da arcada dentária e testes de DNA. A confirmação da tragédia chegou aos familiares por meio da própria Scania, empresa onde Eleandro trabalhava, que foi contatada pelas autoridades após os peritos localizarem a placa do automóvel.

Últimos momentos de alegria e o choque da notícia
Em entrevista exclusiva ao nosso canal, a irmã biológica de Eleandro compartilhou detalhes comoventes e dolorosos sobre as últimas horas do rapaz. De acordo com o relato, Eleandro completou 36 anos na sexta-feira, dia 3 de julho, apenas dois dias antes da colisão. Diversos portais de notícias e páginas da internet divulgaram incorretamente que ele tinha 27 anos, informação que a família fez questão de corrigir.
Na data de seu aniversário, Eleandro visitou o salão de beleza da irmã em São Bernardo do Campo, logo após retirar o veículo alugado que utilizaria para a viagem. Esse momento ficou registrado em um dos últimos vídeos do jovem, que exibe sua entrada no estúdio. “Ele era um rapaz tão alegre, tão feliz, cheio de brincadeiras”, relembrou a irmã, profundamente emocionada.
O casal estava namorando há pouco tempo. Eleandro morava na região do Rudge Ramos, enquanto Luana residia em Ribeirão Pires. Naquela sexta-feira, eles se uniram para viajar até Borebi, cidade próxima a Bauru, no interior paulista, onde participaram do chá de bebê de uma prima dele. No domingo, após esperarem o término de uma partida de futebol para pegar a estrada com mais tranquilidade, iniciaram a viagem de retorno que terminaria em tragédia.
“O velório dele e o enterro foram nesta quarta-feira aqui no interior de São Paulo, em Borebi, que é para onde eles voltavam quando aconteceu o acidente. Ele é de Borebi, a família adotiva dele é daqui. Ele foi adotado por uma família quando tinha uns nove anos, mas nós, que somos irmãos de sangue, sempre mantivemos contato próximo”, afirmou a irmã.
“Como o carro pegou fogo, eles puxaram pela placa e conseguiram entrar em contato com a Scania, empresa onde meu irmão trabalhav. Foi a própria Scania que fez o primeiro contato com a nossa família para dar a notícia.”, completou.
Despedida sob forte comoção e pedidos de justiça
Na manhã desta quarta-feira (8), o Cemitério Municipal São José, em Ribeirão Pires, foi palco de intensa dor. Familiares, amigos e moradores compareceram em massa ao velório e sepultamento de Luana e da pequena Ana Luiza. Em forma de protesto contra a violência e a impunidade no trânsito, dezenas de pessoas vestiam camisetas estampadas com fotos das vítimas e mensagens exigindo punição severa.
Simultaneamente, o corpo de Eleandro — carinhosamente conhecido pelos amigos como “Bauru” — foi sepultado em Borebi, conforme o desejo de sua família adotiva e sob o luto de seus irmãos de sangue.
Motorista embriagado segue preso preventivamente
O condutor do outro veículo, identificado como Gabriel Lima da Silva, foi preso em flagrante no local do acidente. Segundo a Polícia Militar, ele apresentava sinais evidentes de embriaguez, dirigia em velocidade incompatível com a via e de forma perigosa antes da colisão. No interior do automóvel de Gabriel, os agentes localizaram uma lata de cerveja. O acusado recusou-se a realizar o teste do bafômetro.
O caso ganha contornos ainda mais graves diante da informação de que Gabriel já possuía histórico policial anterior, tendo sido encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) em outra ocasião por suspeita de dirigir sob o efeito de álcool.
Durante a audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante de Gabriel em prisão preventiva, acolhendo o pedido de manutenção da ordem pública devido à gravidade extrema do ocorrido. Embora o caso tenha sido registrado inicialmente como homicídio culposo na direção de veículo automotor, a brutalidade do impacto, o histórico do condutor e a clara assunção do risco de matar acirram o debate jurídico para que o réu responda por homicídio com dolo eventual, quando se assume conscientemente o risco de tirar uma vida.
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