
O cenário sucessório ao Palácio dos Bandeirantes sofreu uma recomposição neste final de semana. O ex-prefeito de Santo André e atual presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, anunciou oficialmente neste domingo (21/6) a retirada de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo. O tucano decidiu que irá disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro.
A decisão de Serra acontece em menos de 24 horas após o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) tomar caminho semelhante, consolidando um movimento que favorece diretamente o projeto de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Juntos, Serra e Kataguiri somavam quase 8% das intenções de voto no estado, segundo dados recentes.
A saída do tucano do páreo ocorre após intensa articulação de bastidores. Aliados de Tarcísio de Freitas vinham pressionando e tentando convencer o ex-prefeito de Santo André a recuar para compor a base de apoio ao atual governador, isolando a candidatura da oposição de esquerda, liderada por Fernando Haddad (PT).
“Missão maior”
Em nota oficial divulgada à imprensa e nas redes sociais, Paulo Serra justificou a mudança de rota afirmando que o movimento busca dar protagonismo regional ao Grande ABC em Brasília e ajudar na reestruturação do PSDB nacional.
“Faço essa escolha porque compreendo que minha missão, neste momento, é ainda maior: representar Santo André, o Grande ABCD Paulista e o estado de São Paulo na Câmara dos Deputados, em Brasília-DF, colocando nossa experiência de gestão pública a serviço de todo o País”, afirmou o tucano em nota.
O ex-prefeito também reforçou que não enxerga o movimento como um recuo, mas como a “continuidade de um projeto que nasceu em Santo André”. No PSDB, Serra deve focar esforços na tentativa de reconstruir a legenda, que perdeu força nacional e estadual nos últimos pleitos.
Efeito cascata e o impacto nas urnas
A debandada de Serra e Kataguiri — dois nomes que disputavam o eleitorado de centro-direita e direita — altera significativamente a matemática eleitoral paulista. Com a saída de ambos, cresce a probabilidade de Tarcísio de Freitas liquidar a fatura ainda no primeiro turno.
De acordo com o levantamento da Paraná Pesquisas divulgado na última sexta-feira (19/6), o cenário se desenhava da seguinte forma:
| Pré-candidato | Partido | Intenção de Voto (%) |
| Tarcísio de Freitas | Republicanos | 45,6% |
| Fernando Haddad | PT | 34,1% |
| Paulo Serra | PSDB | 4,6% |
| Kim Kataguiri | Missão | 3,0% |
Com a margem do atual governador próxima dos 50% dos votos válidos, a migração natural dos eleitores de Serra e Kim para a candidatura de Tarcísio pode abreviar a disputa.
MBL foca em plano nacional
No sábado (20/6), Kim Kataguiri já havia sinalizado o esvaziamento da terceira via paulista ao anunciar o foco em sua reeleição para a Câmara dos Deputados. O parlamentar do Movimento Brasil Livre (MBL) vinculou sua desistência a um projeto nacional do seu partido, o recém-criado Missão.
Kataguiri anunciou que, além de buscar se manter no Congresso, assumirá a coordenação do plano de governo e o posto de eventual “Ministro da Reforma do Estado” em uma futura candidatura de Renan Santos (Missão) à Presidência da República. Segundo Kataguiri, a superpasta fundiria os ministérios da Previdência, Planejamento e Trabalho.
Com as duas baixas, a corrida pelo governo de São Paulo se polariza de forma antecipada entre o grupo político de Tarcísio de Freitas e o bloco de oposição liderado pelo Partido dos Trabalhadores.
