
Em crise e em uma nova etapa do processo de reestruturação da Patriani, a empresa deixará de executar obras diretamente para atuar exclusivamente como incorporadora. A mudança faz parte do plano conduzido pelo fundador, Valter Patriani, que retornou à gestão da companhia com o objetivo de reorganizar as operações e concluir os empreendimentos em andamento.
A retomada prevê a transferência gradual das obras para construtoras parceiras e a realocação dos cerca de 1.500 colaboradores atualmente vinculados às operações de construção. Apesar de restarem apenas 50 profissionais desse total na empresa, o empresário não fala em demissões, já que haverá transferência de funcionários.
“Esses funcionários que não ficaram na incorporadora foram direcionados às constutoras que assumiram as obras”, disse Valter Patriani em entrevista ao ABCD JORNAL.
A empresa fechou 2025 com prejuízo de R$ 323,9 milhões, após registrar lucro de R$ 4,4 milhões no ano anterior. A receita recuou 61%, situando-se em R$ 508,1 milhões. “Na verdade, esse resultado de prejuízo também ocorreu porque pegamos tudo o que tínhamos, inclusive problemas de 2026, para colocar no balanço geral e melhorar a vida daqui para frente. A Patriani é uma boa marca e vamos seguir a vida confiantes de que as coisas vão melhorar”, afirmou.
Ele relata que 75% dos problemas já estão resolvidos e faz questão de tranquilizar os clientes, afirmando que ninguém ficará sem atendimento e solução. “Estamos procurando todos os clientes para darmos continuidade à entrega de todas as obras.”
Ainda de acordo com o fundador, o ano de Copa do Mundo seguido de eleições atrapalha de certa forma por conta das incertezas. “A eleição é um problema. Claro que o Brasil é um país espetacular, mas a questão maior é a elevação das taxas de juros e os gastos do governo. A classe média se ressente, e é inegável que as vendas ficam mais nervosas.”
Atualmente, a Patriani tem 20 obras em andamento, e a maior parte delas já foi transferida para outras constutoras.
Atraso em obras em 2025
No ano passado, a Patriani já começava a dar sinais de crise com obras paradas e atrasos nos pagamentos de fornecedores. Funcionários também ficaram com salários atrasados.
Em Santo André, por exemplo, compradores de apartamentos de alto padrão na planta, localizados na Avenida Industrial, ficaram preocupados com a paralisação da obra por cerca de três meses. O temor aumentou no fim de 2025, após notícias sobre a crise na construtora e relatos de falta de pagamento a funcionários em outros empreendimentos. A obra só foi retomada em janeiro.
Problemas com o pagamento de terceirizados
No fim do ano passado, o ConstruMob (Sindicato da Construção Civil e do Mobiliário de Santo André e Região) chegou a informar que 50 trabalhadores de empreiteiras terceirizadas sofreram com atrasos no pagamento de salários.
Qual a diferença entre incorporadora e construtora?
Uma incorporadora cuida apenas da criação e lançamento dos produtos, enquanto a construtora os executa e realiza as obras. Com o plano de recuperação, a Patriani passa a tocar apenas a primeira parte, exatamente a criação e lançamento.
