
A opção do Executivo do Santo André, Sérgio Soares, de viajar dois dias antes a Votuporanga e de lá mesmo seguir para Limeira tem não só a aprovação do preparador físico Kaio Soares quanto a sua mão nesta decisão.
“Essa questão é fundamental, mitiga um pouco do desgaste que existe pelos atletas. Normalmente se olha para o esgotamento do campo e pouco se observa o deslocamento. Isso é uma situação fundamental, que aparece no campo de jogo quando feita de maneira inadequada”, explica Kaio.
A preocupação com as longas viagens e o descanso dos atletas não é de agora. Kaio comunicou à diretoria a sua intenção no final de novembro, quando recebeu a tabela da competição. “Já comecei a comentar a importância e necessidade para que a gente pudesse fazer isso. Tenho por método e por controle do meu trabalho olhar lá na frente o que podemos fazer para minimizar o desgaste e fazer com que os atletas percorram e tenham a máxima intensidade possível na hora do jogo”, explica.
Essa pausa nas viagens, segundo o preparador físico, ajuda muito na questão de recuperação do jogador. “Ele não perde noites de sono que desgastam e isso atrapalha muito o jogador de futebol”, disse, se antecipando novamente para as últimas partidas desta primeira fase. “Algumas situações já estão encaminhadas para as rodadas finais, estamos sempre nos antecipando, intervimos para não deixar em cima da hora, até pela influência que tem dentro do jogo”.
Após os jogos do Santo André, Kaio Soares coloca todo mundo em movimento, o que não é comum. “É para equalizar e equilibrar o grupo como um todo. Alguns estão voltando de lesões e, esse tipo de controle e trabalho que desenvolvemos, com a colaboração da fisiologia, antevê o que o próprio grupo consegue enxergar sobre a preparação”.
Em outras palavras, é “saber o momento certo de quando colocar eles para treinarem, gastarem, cansarem ou quanto precisam descansar, serem pontuais, com trabalhos específicos ou até repetir alguma situação de treino, às vezes até trabalho de força. Um modelo de treino que ajuda, senão evitar, mas minimizar o risco de uma lesão e, se acontecer, que ela seja a menor possível, porque nem sempre dá para evitar”.
Com o passar dos jogos essa questão fica mais evidente. “E, se não parar para cuidar, pode ter uma falha que não tem como reparar se não for feita desde o início da competição. O controle vem não só da logística, mas diário, das sessões de treino, assim como o pós-jogo. Vão ter aqueles que não participaram e, quando entrarem, vão estar no nível ideal e aqui não passa desapercebido”.
