O Cemitério Municipal São José, em Ribeirão Pires, foi palco de intensa dor e homenagens na manhã desta quarta-feira (8). Familiares, amigos e moradores da região compareceram ao velório e sepultamento de Luana Carrilho, de 32 anos, e de sua filha, Ana Luiza, de apenas 5 anos. As duas foram vítimas de um grave acidente automobilístico na Rodovia Castello Branco, em Osasco, na Grande São Paulo.
O velório começou às 7h e o sepultamento ocorreu às 14h, cercado por um clima de profunda indignação e tristeza. Durante a despedida, amigos e familiares vestiram camisetas estampadas com as fotos das vítimas e frases com pedidos de justiça, transformando o momento de luto também em um protesto contra a impunidade no trânsito.
Paralelamente, em Bauru, no interior do estado, ocorreu o enterro de Eleandro Almeida Repeker, de 36 anos, conhecido como “Bauru”, namorado de Luana (le não é o pai de Ana Luiza). A família retornava de uma viagem ao interior paulista rumo a Ribeirão Pires quando o veículo em que estavam foi violentamente atingido na traseira.
O acidente e a prisão do motorista
O impacto da colisão foi tão forte que o carro da família pegou fogo imediatamente. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas as chamas consumiram o automóvel com rapidez, impossibilitando qualquer chance de resgate. Devido à gravidade do incêndio, a identificação oficial das vítimas dependeu de exames periciais complexos, como análise da arcada dentária e testes de DNA.
O condutor do outro veículo, Gabriel Lima da Silva, foi preso em flagrante. Segundo a Polícia Militar, ele apresentava sinais evidentes de embriaguez, dirigia em alta velocidade e de forma perigosa antes da batida. Uma lata de cerveja foi encontrada no interior do seu carro, e ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.
A Justiça converteu a prisão em flagrante de Gabriel em preventiva durante a audiência de custódia, garantindo que ele permaneça preso durante o andamento das investigações para a manutenção da ordem pública.
Histórico e revolta
A tragédia gerou grande revolta na internet e entre os moradores do Grande ABC. O caso ganha contornos ainda mais graves pelo histórico do acusado: Gabriel já havia sido encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) anteriormente por suspeita de dirigir sob o efeito de álcool.
Embora o caso tenha sido registrado inicialmente como homicídio culposo na direção de veículo automotor, o histórico do motorista e a dinâmica do acidente levantam discussões jurídicas sobre o enquadramento por dolo eventual, quando o condutor assume conscientemente o risco de matar.
