
Em uma disputa marcada pelo racha na direita local e alternância na liderança das pesquisas, Carlos Bolsonaro (PL) consagrou com sucesso sua aposta política e foi eleito senador por Santa Catarina. O resultado confirma a força do sobrenome da família no estado que se tornou um dos maiores redutos do bolsonarismo no país, garantindo ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro um mandato de oito anos na Bacia Alta do Congresso Nacional.
Com a vitória, Carlos integrará a bancada catarinense no Senado ao lado de Jorge Seif, também do PL, cujo mandato se estende até 2031.
Da Baixada Carioca ao Sul do País
Natural do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro construiu toda a sua trajetória política na capital fluminense, onde foi eleito vereador pela primeira vez em 2000, com apenas 17 anos. Após mais de duas décadas acumulando mandatos consecutivos e votações expressivas na Câmara Municipal do Rio, ele renunciou ao cargo e se mudou para Santa Catarina em outubro de 2025 para viabilizar sua candidatura.
A migração ocorreu por falta de espaço na chapa majoritária do PL fluminense. Sem vaga disponível no Rio de Janeiro, Carlos escolheu Santa Catarina com o aval do pai. A movimentação foi chancelada pelo governador Jorginho Mello, presidente estadual do PL, ciente do apelo do eleitorado catarinense, que desde 2018 confere a Jair Bolsonaro algumas de suas maiores votações proporcionais no Brasil.
Resistência e racha na direita catarinense
Apesar da vitória, a chegada de Carlos ao cenário político catarinense esteve longe de ser trivial. O movimento desfez os planos iniciais do governador Jorginho Mello para as Eleições 2026, que previam uma chapa ao Senado formada pela deputada federal Carol De Toni (PL) e pelo veterano Esperidião Amin (PP) — um arranjo desenhado para consolidar o apoio do PP à coligação de reeleição do governador.
A imposição do nome carioca implodiu o acordo prévio e acirrou os ânimos entre as lideranças conservadoras do estado. Durante a campanha, a liderança das intenções de voto oscilou de forma acirrada entre Carlos, De Toni e Amin, enquanto o filho do ex-presidente registrava índices significativos de rejeição no eleitorado local.
No final, a hegemonia da marca Bolsonaro prevaleceu nas urnas, garantindo que o terreno mais fértil da direita brasileira desse a Carlos Bolsonaro seu primeiro mandato no Congresso Nacional.
