5 de agosto de 2021

Polícia Federal diz que havia mensalinho a 22 vereadores de Mauá

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Prefeito Atila Jacomussi e seu ex-secretário de Governo foram presos e celulares de vereadores apreendidos

 

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Gaspar e Atila foram flagrados com dinheiro em casa durante primeira fase da operação da PF. Foto: Divulgação

 

Delegados da Polícia Federal informaram nesta quarta-feira (13/12) durante entrevista coletiva que o prefeito de Mauá, Átila Jacomussi (PSB), teria arquitetado um esquema de propina e corrupção que envolveria o pagamento de “mensalinho” a 22 dos 23 vereadores. O dinheiro teria origem em fraudes em contratos para merenda e uniforme escolar. O prefeito foi preso pela segunda vez, assim como o ex-secretário de Governo João Eduardo Gaspar, acusado de colocar em prática o esquema. Os celulares foram todos apreendidos.

A PF diz ter chegado ao esquema após ter apreendido planilhas que apontavam a distribuição mensal de dinheiro aos parlamentares. De acordo com a Polícia, a corrupção girava em torno de 20% dos contratos com as empresas contratadas.

O delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Marcelo Ivo de Carvalho, informou que as planilhas encontradas com Gaspar , em maio, quando a Operação Prato feito foi deflagrada, apontavam o recebimento de propina de nove empresas, que teriam sido beneficiadas em contratos com a Prefeitura.

“O que mostra é o seguinte: o dinheiro, esses 20%, entrava no caixa do esquema e depois era íaos vereadores, aos servidores. Tudo indica que era um mensalinho. Mas o dinheiro que entrava era um percentual dos contratos que as empresas tinham com a prefeitura. Depois que esse dinheiro entrava, ele era distribuído. Aí, cada um tinha uma participação, alguns mais, outros menos, e os valores estão todos discriminados na planilha”, disse.

De acordo com o delegado, servidores também teriam recebido dinheiro e que mesmo durante a prisão por 120 dias o prefeito teria mantido o suposto esquema de propina, inclusive, para se livrar de dois pedidos de impeachment na Câmara, onde o pai, Admir Jacomussi (PRP) é presidente. “Após ele ser solto pelo Supremo Tribunal Federal, as investigações apontam que continuaram os direcionamento de editais e as irregularidades nos contratos. O prefeito continuava influenciando nas contratações irregulares”, disse o delegado.

Uma das medidas adotadas nesta nova fase da Operação Prato Feito foi a proibição dessas nove empresas de fazer contratos com o poder público municipal. Dois servidores foram afastados. A PF pediu, mas a Justiça não acatou o afastamento dos 22 vereadores.

A Polícia Federal também cumpriu mandados de busca na Prefeitura de Mauá, na sede da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) e na casa de Ione Scapinelli, coordenadora da Secretaria de Governo de Mauá.

O chefe da delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros da PF, Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, disse que Atila chefiava um esquema de mensalinho e Gaspar executava. “Ao prefeito, neste esquema, cabia a liderança e a coordenação deste esquema. Já o ex-secretário fazia a contabilidade e o controle do recebimento de valores de propina das empresas, que variava a 10 a 20 % do valor do contrato firmado com a Prefeitura. Essas planilhas têm o controle detalhado do recebimento de dinheiro (pelas empresas) e repasse de propina para os 22 vereadores. O nome de cada um, e quanto cada um estava recebendo. Era um recolhimento de vantagens ilícitos”, disse o delegado.

Entenda o caso

A primeira prisão do prefeito Atila ocorreu em maio deste ano quando a PF encontrou em sua casa R$ 87 mil. Na residencia do então secretário de Governo, foram localizados R$ 588 mil, além de 3 mil euros. Depois de 120 dias preso, o STF concedeu habeas corpus em setembro.

O advogado do prefeito, Daniel Bialski, emitiu nota em que considera a prisão “arbitrária”. A Câmara de Mauá informa que, em relação à operação realizada pela Polícia Federal todos os gabinetes foram vistoriados (23 gabinetes de vereadores, mais o gabinete da Presidência).

Servidores da Câmara prestaram esclarecimentos aos agentes da Polícia, colaborando prontamente com a vistoria realizada, que ocorreu de forma tranquila e organizada. Não houve desentendimento e ninguém foi detido. A Câmara de Mauá mantém-se, como sempre esteve, à disposição da Justiça, bem como das demais instâncias de poder, para prestar esclarecimentos que se fizerem necessários”, finalizou.

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