18 de maio de 2022

Pandemia bagunça rotina e comportamento dos pets

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 Saiba como lidar com a situação e amenizar os impactos do isolamento social sobre a vida dos cães e gatos em casa

 

Milka e Cacau ficaram ansiosas nos primeiros dias; tutora Bianca passeia e faz brincadeiras. Foto: Divulgação

 

A pandemia de coronavírus mexeu não só com a rotina da casa, com seu home office, com a escola das crianças, com as novelas e toda a programação da TV, mas também com o comportamento dos pets. Acostumados com os hábitos dos humanos que passavam o dia fora de casa, os animais de estimação estão agora sofrendo com a mudança repentina e a companhia de seus tutores 24 horas por dia.

“Os gatinhos gostam de um ambiente previsível e, mesmo amando os seus tutores, o fato de eles estarem mais tempo em casa desequilibra, muda a rotina. Então, esse período de quarentena pode trazer alterações comportamentais porque não deixa de ser um fator de estresse”, diz Debora Paulino, veterinária especialista em gatos, professora e terapeuta comportamental.

A veterinária também afirma que neste período de quarentena aumentou muito seu trabalho como consultora comportamental dos bichanos. “Gatinhos começaram a brigar, miar em excesso, arranhar locais onde antes não arranhavam. Por isso aumentou muito a busca pela orientação.”

Uma das dicas para resolver o problema, segundo Debora, é interagir com o gato e manter suas habilidades naturais. “É um período de brincadeira e de observação dos gatinhos como um todo. Você deve buscar saber quais são as preferências dele, brincar e escovar os que gostam de escovação. Já aqueles que ficarem mais reclusos, sem tanta interação, seguir observando como está o apetite, a ingestão de água e se estão usando a caixinha de areia”, disse, ao salientar que não se devem mudar hábitos alimentares, localização de potes nem caixas de areia.

 

Debora Paulino diz que seu trabalho como consultora comportamental aumentou muito no período de quarentena . Foto: Divulgação

 

“A minha gatinha fica andando atrás de mim o tempo todo. Agora há pouco, por exemplo, estava arrumando meu armário e ela estava lá junto comigo”, disse a professora Mônica Sigarini, que está pensando em brincadeiras novas para fazer com a felina Fofinha. “Por enquanto, o que ela mais gosta é que eu jogue os objetos para que pegue e traga de volta para que eu jogue de novo. É mais cachorro do que gato.”

A escrevente técnico-judiciária Bianca Fogli tem duas cachorras shitzu, a Milka e a Cacau. Ela diz que as duas ficaram ansiosas nos primeiros dias. “Tenho uma funcionária que vinha todos os dias e pedi para que ela ficasse em casa. Percebi que sentiram a falta dela. Também estranharam o fato de eu passar o dia na sala. No terceiro dia, saí para ir ao mercado e elas estavam deitadas felizes da vida bem no local onde eu costumo ficar. Aí pensei: estou atrapalhando a rotina delas, o cochilo da tarde é aqui.”

Para minimizar o impacto da mudança, Bianca passeia e faz brincadeiras. “Saio super cedo, 6h30, ando 10 minutos e não cruzo com ninguém nesse passeio. Ao voltar, higienizo as patinhas e sento com elas no sol da sacada. Em algum outro momento do dia, brinco de pega-pega, de jogar brinquedo, coisas que normalmente elas chamam, mas estou tomando a iniciativa para que elas desestressem.”

 

Mônica Sigarini está pensando em brincadeiras novas para fazer com sua Fofinha. Foto: Divulgação

 

A veterinária Guadalupe Polizel, especialista em clínica, cirurgia e nutrição animal, afirma que Bianca está agindo corretamente com Milka e Cacau. “Também é interessante fazer brincadeiras com estimulação ambiental, já que muitos não estão passeando, indo para a creche ou fazendo os exercícios que costumavam fazer, por exemplo: garrafa pet furadinha com petisco dentro, caixas com pequenos buracos para o mesmo propósito ou tapetes com velcro que o animal precisa ‘tirar’ para encontrar o petisco. Para os dias de mais calor, outra dica é fazer gelinho com melancia, água de coco e pedaços de frutas em copinhos descartáveis de café. Coloca o suco com as frutas no copinho e congela. Se a pessoa tem quintal, pode dar o ‘gelinho’ para o cachorro e além de brinquedo, vai ser um petisco porque ele vai correndo, jogando para cima, brincando e lambendo. Tudo isso ajuda a gastar energia e distrair”.

Outra questão importante, de acordo com Guadalupe, é a volta pós-quarentena. “O dono vai acostumar o animal a ser bem dependente dele (porque ele vai se habituar com gente dentro de casa, criança correndo, atenção o dia todo) e o grande problema vai ser o pós-retorno ao trabalho. Então, o interessante é manter a educação e independência do animal sem o tutor por perto o tempo inteiro e isso acontece com o estímulo de brincadeiras que ele possa fazer sozinho”, disse.

A veterinária também afirma que é fundamental não mudar muito a rotina do animal porque o período de “férias” logo vai acabar. “Os piores problemas de comportamento, segundo afirma um adestrador que é meu amigo, são quando o dono volta a trabalhar depois de um tempo em casa. É a época em que ele mais é chamado para fazer correção de problemas de comportamento.”

A veterinária Guadalupe Polizel afirma que é importante pensar na volta pós-quarentena. Foto: Divulgação

 

O mercado

A varejista de produtos para animais Cobasi tem a política de não divulgar seus números, mas informou que a venda de acessórios, onde estão os brinquedos, mantém uma constante nesta quarentena. Na semana do dia 16 de março, sentiu aumento das vendas nas lojas físicas e e-commerce no setor de alimentação, principalmente nas rações. Nas lojas, também houve aumento das vendas dos produtos de limpeza para casa.

Na semana do dia 23, houve queda dos consumidores nas lojas físicas por conta do pedido de isolamento social, mas houve uma mudança de parte do consumidor para o e-commerce. A modalidade de venda em que o cliente pode receber suas compras em casa em até 4 horas após a aprovação do pagamento aumentou em cinco vezes na semana do dia 23 de março.

De acordo com dados de 2018 da ABINPET (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), o Brasil é o 4º do mundo em população total de animais de estimação, o 2º em população de cães, gatos e aves e o 2º em faturamento no setor (R$ 34,4 bilhões em 2018).

 

 

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