Mãe que perdeu filho de 10 anos em Diadema tem 10 mil assinaturas por vacina

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Renata Hidalgo Alcântara de Souza faz abaixo-assinado no qual solicita às  autoridades que incluam  no SUS vacina contra Meningite B

Mãe Renata e filho Murillo
A última foto durante o último passeio de Renata com o filho Murillo. Foto: Arquivo pessoal

A dor de perder um filho por falta de vacina fez a moradora de Diadema Renata Hidalgo Alcântara de Souza, de 33 anos, iniciar um abaixo-assinado para entregar às autoridades solicitando a inclusão no SUS (Sistema Único de Saúde) da vacina contra Meningite B.

Há 27 dias, ela enfrentou a dor mais profunda para uma mãe: a perda de um filho. Murillo Hidalgo Alcântara Diniz, de 10 anos, era saudável, brincava e estudava normalmente, mas  mas em 24 horas adoeceu e faleceu deixando saudades no coração de todos os familiares, inclusive dos dois irmãos gêmeos.

Em entrevista ao ABCD Jornal na manhã desta quarta-feira (06/12), Renata afirmou que não quer que outras mães passem pelo mesmo sofrimento. Ela iniciou uma mobilização da sociedade para alertar as autoridades sobre o perigo da doença. “Uma dose custa R$ 610 e cada criança precisa tomar duas. A intenção é que o SUS disponibilize essa vacina para a população”, afirmou a moradora de Diadema.

“Meu filho começou a ter febre de 39 graus. Eu mediquei, mas na madrugada voltou e ele reclamou de dor no corpo e na nuca. Levei para o hospital e começou a aparecer manchas no rosto e no corpo. A partir daí, o quadro dele foi piorando e evoluiu a óbito”, disse Renata.

Ela conta que antes de a doença se manifestar, o filho estava brincando normalmente sem apresentar qualquer problema de saúde. “Em 24 horas perdi meu filho e não pude fazer nada. Agora quero fazer esse alerta porque a chance de ir a óbito quem contrai meningite bacteriana é de 99%. Quando  sobrevive, fica com sequelas graves”, disse.

Murillo e irmãos
Murillo evoluiu a óbito em 24 horas após doença se manifestar. Foto: Arquivo pessoal

O que diz a Prefeitura

A Prefeitura de Diadema informou que o município de Diadema não teve nenhum surto de meningite em 2023. Desde janeiro deste ano, foram registrados 67 casos de meningites (adultos e crianças).

Leia a íntegra da nota:

“Em atendimento a sua solicitação, a Assessoria de Imprensa informa que o município de Diadema não teve nenhum surto de meningite em 2023. Desde janeiro deste ano, foram registrados 67 casos de meningites (adultos e crianças). Embora a doença seja de notificação compulsória, pode haver diferença de tempo entre a suspeita/confirmação até o recebimento da notificação e os exames laboratoriais.

Em relação ao caso mencionado, o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Guarulhos/SP, onde o laudo foi realizado, não informou ao município o sorotipo da meningite que afetou a criança.

Todo paciente que cumpra os critérios de caso suspeito e cujo diagnóstico seja confirmado por meio dos exames laboratoriais específicos: cultura, e/ou PCR, e/ou látex são monitorados. Após a confirmação de Meningite Bacteriana da forma grave, são realizadas as intervenções de quimioprofilaxia e orientações de prevenção.

A vacinação é considerada a forma mais eficaz na prevenção da doença.Por isso, a principal medida de prevenção é manter a vacinação em dia. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza as seguintes vacinas: Vacina meningocócica conjugada C que previne de doenças causadas pela bactéria Neisseria meningitidis do grupo C (crianças com três, cinco e 12 meses e adolescentes entre 11 e 14 anos como reforço ou dose única); Vacina BCG que previne as formas mais graves da tuberculose, dentre elas meningite tuberculosa e tuberculose miliar (recém nascido); Vacina Pentavalente, que no caso da meninigite previne contra a infecção pela bactéria Haemophilus influenzae b (crianças de dois, quatro e seis meses); e vacina Pneumocócica 23 valente que previne doenças causadas pelo Streptococcus pneumoniae (crianças com dois, quatro e 12 meses); e Vacina Pneumocócica Conjungada ACWY que previne a doença causada por sorotipos ACWY (adolesccentes entre 11 e 14 anos de idade). Elas estão disponíveis nas 20 UBSs. Confira os endereços em https://portal.diadema.sp.gov.br/vacinas/.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) adota medidas para prevenção como campanhas de vacinação, busca ativa de faltosos, vacinação em escolas, Carro da Vacina (posto itinerante em pontos estratégicos da cidade), disponibiliza todas as vacinas do calendário vacinal nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), cobra declaração vacinal atualizada dos estudantes da rede municipal e ainda informa a população pelos canais oficiais e redes sociais da Prefeitura. Entretanto, o imunizante contra o tipo B ainda não está disponível na rede pública.

A SMS reforça a necessidade de os responsáveis levarem crianças e jovens, dentro do prazo do calendário oficial, para receber as doses. Mais informações sobre a doença em https://portal.diadema.sp.gov.br/wp-content/uploads/2023/11/13-11-23-Orientacoes-Meningite.pdf.”

O que diz o Estado

A reportagem do ABCD Jornal procurou a Secretaria estadual de saúde para saber quantos casos teve neste ano. Segundo a nota, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo informou que, de janeiro a novembro deste ano, foram registrados 3.590 casos por todas as meningites nas cidades abrangidas pelo Departamento Regional de Saúde (DRS) da Grande São Paulo, que inclui as sete cidades do ABCD.

Segundo a Secretaria, a inclusão de novas vacinas no Calendário Nacional de Imunização compete ao Ministério da Saúde. “Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com duas vacinas contra a doença, a Meningo C e a ACWY. A imunização contra a meningite faz parte das vacinas de rotina das crianças que recebem duas doses, aos três e cinco meses de idade, e um reforço, preferencialmente aos 12 meses, e está disponível permanentemente na rede pública. Em 2023, de janeiro a março, a taxa de cobertura vacinal no Estado é de 81,3%”, afirmpou.

De acordo com a Pasta, até o final do ano de 2023, há a recomendação para a vacinação com Meningocócica C Conjugada em crianças menores de 10 anos que perderam a oportunidade de serem vacinadas na idade preconizada e em profissionais da saúde.

“Além da vacina Meningocócica C Conjugada, o Programa Estadual de Imunização orienta a administração da vacina Meningocócica ACWY nos adolescentes de 11 e 12 anos, como reforço ou dose única dependendo da situação vacinal de cada um. O público elegível para esse imunizante também foi ampliado, até dezembro de 2023, para os adolescentes de 13 e 14 anos que perderam a oportunidade de serem vacinados na idade indicada. A cobertura vacinal de adolescentes de 11 a 14 anos com doses acumuladas, no período de 2017 a 2022, para a vacina Meningocócica ACWY é de 43,6%.

O público elegível que ainda não recebeu as vacinas Meningocócica C e ACWY ou não encerraram o ciclo vacinal, devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para regularizar a sua situação”, concluiu.

 

 

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