
A disputa entre Santos e Cuiabá ganhou proporções maiores nos bastidores. Após o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, se referir ao Santos como “caloteiro”, “sem vergonha” e acusá-lo de “estelionato esportivo”, o presidente santista Marcelo Teixeira respondeu, chamando Dresch de “desqualificado” e “irresponsável”. A origem do problema é uma dívida de R$ 18,6 milhões relacionada à negociação do zagueiro Joaquim — situação já reconhecida pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF e que o Santos ainda não resolveu.
Em 2023, o Santos firmou contrato com Joaquim e, na venda do zagueiro para o Tigres, do México, uma parte do valor seria destinada ao Cuiabá. De acordo com Dresch, o clube reestruturou a dívida em cinco parcelas, porém o Santos teria efetuado o pagamento apenas da primeira. Frente ao impasse, o Cuiabá solicitou a intervenção da CNRD em maio de 2025 e conseguiu a condenação do Peixe ao pagamento de R$ 18.616.377,46.
A escalada do conflito
Em entrevista à Gazeta Esportiva, Dresch foi direto: “Eu vou expor, sim, o Santos. É um clube caloteiro mesmo, sem vergonha. A questão do estelionato esportivo é verdade.” O dirigente também criticou o fato de clubes endividados permanecerem na Série A sem quitar obrigações, beneficiando-se de falhas no sistema.
Teixeira respondeu com igual virulência, chamando Dresch de “desqualificado” e “irresponsável” — o que levou o Cuiabá a emitir uma nota oficial em defesa de seu presidente.
A nota do Cuiabá
O clube mato-grossense recebeu as declarações de Teixeira “com indignação” e fez questão de lembrar o histórico recente: nesta semana, quitou integralmente uma condenação da Fifa no caso do treinador Petit, de aproximadamente R$ 5,5 milhões, com recursos próprios. Na nota, o Cuiabá apontou a contradição: “Há uma inversão de valores quando quem deve se sente à vontade para adjetivar quem cobra.”
O clube também rebateu a menção implícita à Série B — lembrando que o próprio Santos disputou a segunda divisão em 2024, primeiro ano da gestão Teixeira.
O impasse segue
A condenação da CNRD está firme, mas o pagamento não. O Cuiabá cobra a quitação; o Santos ainda não sinalizou quando vai honrar o valor reconhecido pelo órgão da CBF.