
Roger Machado quebrou o silêncio sobre sua curta e turbulenta passagem pelo São Paulo. Em entrevista ao GE, o treinador avaliou os 17 jogos que comandou o Tricolor — sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, com aproveitamento de 49% — e falou sem filtros sobre o desgaste que enfrentou, a saída após a eliminação para o Juventude na Copa do Brasil e as perseguições que chegaram ao celular de sua família.
O assédio que não poupou nem a família
Um dos pontos mais pesados da passagem pelo Morumbi foi o assédio nas redes sociais e por telefone. Roger contou que o número de sua esposa e de suas filhas foi descoberto por torcedores e que lidou com isso bloqueando contatos um a um. “O meu telefone, que eu tenho há pelo menos 25 anos, eu devo ter nele mais ou menos umas duas mil pessoas bloqueadas. Eu não vou trocar meu número. Vou bloquear um por um.” Para ele, o acesso ao contato pessoal representa um desrespeito que não pretende deixar passar.
A sensação de nadar contra a maré
Roger admitiu que apostou no tempo para mudar a percepção da torcida, mas logo percebeu que o ambiente era mais hostil do que esperava. “Eu genuinamente acreditei que o trabalho, com os torcedores me conhecendo mais e uma consistência maior dos resultados, fosse me fazer passar por esse momento. A impressão é que independente do que fizesse, sempre estaria equivocado.” Ele lembrou que chegou ao clube num contexto delicado — sucedendo um técnico campeão num time que brigava contra o rebaixamento — e reconhece que sabia dos riscos ao aceitar o cargo.
Sem rancor, mas com vontade de ter ficado mais
Apesar das dificuldades, Roger não guarda mágoa do São Paulo. “Eu gostaria de ter transformado aquele momento em algo positivo. Queria ter ficado muito mais. Não tenho mágoa nenhuma de nenhum momento.” Ele admite que a chegada foi difícil e que gostaria de ter sido mais acolhido, mas enxerga a experiência como um desafio — e cita a cultura asiática para explicar sua visão: desafio e crise, para ele, são faces da mesma moeda.
O próximo passo
Roger está sem clube e recusou sondagem da Chapecoense. Agora, mira oportunidades fora do Brasil, buscando se afastar do desgaste que marcou essa temporada.