
O Corinthians divulgou nesta quinta-feira (18) o quarto balancete não auditado de 2026, e os números acendem um alerta vermelho no Parque São Jorge. O clube acumulou déficit de R$ 168 milhões entre janeiro e abril, valor mais de duas vezes superior aos R$ 72,9 milhões previstos no orçamento. A comparação com o mesmo período de 2025 é ainda mais dolorosa: um superávit de R$ 14,9 milhões foi substituído por um rombo expressivo.
Receitas e despesas do Corinthians
No quadrimestre, a receita operacional líquida alcançou R$ 258,8 milhões, o que representa um aumento de 9,2% em comparação aos R$ 285,1 milhões do mesmo período do ano anterior. Os direitos de televisão arrecadaram R$ 81,7 milhões (+12,1%) e R$ 46,2 milhões (+62% em relação à previsão), ambos superando as expectativas.
O problema está do outro lado da balança. As despesas com pessoal atingiram R$ 198 milhões, estourando em 14,9% o orçamento e em 14,5% o gasto do mesmo período de 2025. O principal fator foi o pagamento parcelado da premiação da Copa do Brasil de 2025 ao elenco profissional, quitado a partir de janeiro.
Os desvios orçamentários
A diretoria destacou três fatores que distorceram a comparação entre o realizado e o orçado:
- Premiação da Copa do Brasil de 2025: R$ 32,5 milhões pagos na folha de janeiro
- Tributos sobre contratação: R$ 6 milhões em IRRF e IOF pela chegada do zagueiro Félix Torres
- Postergação de vendas: R$ 75 milhões em negociações de direitos federativos não foram realizados porque a administração optou por priorizar o desempenho esportivo na Libertadores e a valorização dos ativos
Excluindo esses itens, o Corinthians projeta um déficit ajustado de R$ 54,4 milhões — ainda no vermelho, mas mais próximo do orçamento.
EBITDA e resultado financeiro
O EBITDA recorrente foi negativo em R$ 13,3 milhões, com margem de -5,2%. A margem foi de 73,9 milhões, puxado por R$ 77,6 milhões em despesas financeiras no período.
A aposta na janela de transferências
O clube informou que revisará o orçamento na metade do exercício, conforme prevê o Estatuto. A grande esperança está na janela de meio de temporada: a administração projeta arrecadar cerca de 25 milhões de euros líquidos (aproximadamente R$ 150 milhões) com a venda de direitos federativos. O valor é essencial para cumprir a meta orçamentária anual. Sem esses negócios, o rombo tende a se agravar.