
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, se pronunciou pela primeira vez sobre a exclusão do árbitro somali Omar Artan da Copa do Mundo de 2026. Em entrevista nesta quinta-feira (10), o dirigente adotou um tom conciliador, pediu compreensão com os limites da entidade e fez um apelo por unidade em meio às polêmicas que rondam a competição.
“É uma pena, mas não controlamos tudo” crava Infantino
Infantino reconheceu a frustração em torno do episódio, mas argumentou que a Fifa não tem poder para se sobrepor a decisões soberanas de um país.
“O que aconteceu com Omar, o árbitro da Somália, é algo lamentável, mas não dá para ter controle sobre tudo. Tentamos conversar e buscar uma solução. Às vezes, partir para o confronto só gera o efeito contrário. Sempre buscamos alternativas, mas precisamos respeitar que não somos os donos do mundo, nem podemos dar ordens a governos ou forças de segurança. Somos uma organização esportiva.”
Apelo por unidade na Copa
O mandatário aproveitou para tentar deslocar o foco do noticiário de volta ao torneio. “Queremos unir o mundo por meio do futebol. Se posso pedir uma coisa, que seja esta: podem me criticar à vontade, mas promovam a unidade que a Copa do Mundo representa.”
O caso
Omar Artan desembarcou em Miami com a expectativa de se tornar o primeiro somali a apitar um Mundial, meses depois de ser eleito o melhor árbitro da Confederação Africana. Teve o visto negado pelas autoridades americanas e acabou retirado da lista de juízes pela Fifa, que se justificou afirmando não interferir em processos migratórios dos países-sede.
Choque de versões
A fala de Infantino contrasta diretamente com a de Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, que classificou a situação como “vergonhosa” e desafiou o sucessor a mostrar-se mais forte do que “seu grande amigo” Donald Trump.