
O Corinthians iniciou 2026 com um rombo financeiro ainda maior do que o previsto. O balancete divulgado na madrugada deste sábado (2) revela um déficit de R$ 93 milhões, R$ 33 milhões acima do orçamento aprovado para o período.
O prejuízo recorde no início da temporada foi turbinado por dois fatores extraordinários que não constavam da peça orçamentária: a premiação paga ao elenco pelo título da Copa do Brasil de 2025 e os tributos incidentes sobre a remessa internacional pela contratação do zagueiro Félix Torres. Juntos, esses itens não recorrentes somaram R$ 38,6 milhões e distorceram significativamente a comparação com o planejado.
A fotografia patrimonial também piorou. Embora o ativo total tenha saltado de R$ 1,98 bilhão, em dezembro, para R$ 2,57 bilhões — expansão puxada pelo aumento das contas a receber —, o passivo a descoberto atingiu a marca histórica de R$ 869,9 milhões. Em 31 de dezembro de 2025, esse buraco era de R$ 774,2 milhões. Ou seja, em apenas 60 dias, a diferença entre o que o clube deve e o que efetivamente possui cresceu quase R$ 100 milhões.
O balancete também confirma o divórcio entre receitas e despesas operacionais. A receita líquida de R$ 136,5 milhões foi quase integralmente consumida pelos custos do dia a dia, que somaram R$ 132,6 milhões. O resultado foi um EBITDA recorrente pífio, de apenas R$ 4 milhões, com margem de R$ 2,940 milhões nos dois primeiros meses, agravando o déficit.
Dívida total do Corinthians já passa de R$ 2,5 bilhões
O endividamento global do Corinthians, incluindo os débitos relacionados à Neo Química Arena, alcançou R$ 2,57 bilhões. O número reforça o tamanho do desafio que a diretoria terá pela frente para equilibrar as finanças sem comprometer a competitividade do time.
Orçamento será revisto no meio do ano
Diante do descompasso entre o realizado e o projetado, o clube confirma que fará a revisão obrigatória do orçamento na metade da temporada, como determina o estatuto social. A ideia é incorporar às projeções dos próximos meses os efeitos financeiros dos eventos relevantes deste primeiro semestre, sem alterar os números de janeiro e fevereiro já encerrados. A nova peça orçamentária precisará ser aprovada pelo Conselho Deliberativo e deve refletir um realinhamento drástico de receitas e despesas.