
Em meio à escalada da tensão no Oriente Médio, a Federação Iraniana de Futebol emitiu uma nota oficial nas redes sociais nesta sexta-feira, 13, em resposta às declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em sua mensagem, Trump afirmou que os iranianos seriam bem-vindos em território americano, mas a resposta de Teerã foi dura: o país teme pela segurança de sua delegação e contesta a legitimidade dos EUA como anfitrião do torneio.
A nota da seleção iraniana deixa claro que qualquer decisão sobre a participação no Mundial deve ser tomada exclusivamente pela FIFA, e não por governos ou indivíduos. O texto também faz uma grave acusação indireta ao país-sede, sugerindo que quem deveria ser excluído da competição é justamente quem não garante a segurança das delegações.
Leia a íntegra do comunicado:
“A Copa do Mundo é um evento histórico e internacional, e seu órgão regulador é a FIFA — não qualquer indivíduo ou país. A nossa seleção, com sua força e uma série de vitórias decisivas conquistadas pelos corajosos filhos do Irã, foi uma das primeiras equipes a se classificar para este grande torneio.
Certamente, ninguém pode excluir a seleção do Irã da Copa do Mundo; o único país que poderia ser excluído é aquele que carrega apenas o título de ‘anfitrião’, mas não tem capacidade de garantir a segurança das equipes participantes deste evento global.”
Entenda a polêmica
A crise teve início após ataques dos Estados Unidos, Israel e Catar contra o Irã, intensificando os conflitos no Oriente Médio e resultando na morte do aiatolá Ali Hosseini Khamenei, líder religioso e político do país.
Em meio ao agravamento da situação, o ministro do Esporte do Irã, Ahmad Danyamali, concedeu entrevista à TV estatal e declarou que a participação na Copa seria impossível diante do cenário atual. “Considerando que esse regime corrupto assassinou nosso líder, não podemos, em hipótese alguma, participar da Copa do Mundo. Nossas crianças não estão seguras e, fundamentalmente, não existem condições para isso”, afirmou.
Danyamali também mencionou os conflitos recentes como justificativa para o boicote: “Dadas as ações maliciosas que praticaram contra o Irã, impuseram duas guerras a nós ao longo de oito ou nove meses e mataram e martirizaram milhares do nosso povo. Portanto, certamente não podemos ter essa presença.”
Cenário atual após a desistência do Irã
A Copa do Mundo de 2026 será sediada por Estados Unidos, México e Canadá, entre 11 de junho e 19 de julho. O Irã está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, e todos os seus jogos estão marcados para acontecer em solo americano: dois em Los Angeles e um em Seattle.
Até o momento, a FIFA não se pronunciou oficialmente sobre a crise diplomática e seus possíveis reflexos na participação iraniana no torneio.