Metalúrgicos do ABC elevam tom em Diadema por aumento real e fim da escala 6×1. Foto: Divulgação/SMABC
Cerca de mil metalúrgicos tomaram a frente da empresa Apis Delta, em Diadema, na manhã desta segunda-feira (10), em um ato unificado que marcou o acirramento das mobilizações da categoria no ABC Paulista. A atividade reuniu também trabalhadores da Delga, Legas Metal, Metalpart e Brasmeck, articulando as pautas locais da campanha salarial — cuja data-base é 1º de setembro — às reivindicações do Dia Nacional de Luta pelo Fim da Escala 6×1 e pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salários.
A manifestação teve como objetivo mandar um recado direto tanto às bancadas patronais quanto ao Congresso Nacional. Além da reposição integral da inflação medida pelo INPC, a categoria exige aumento real e a renovação de todas as cláusulas sociais de suas convenções coletivas.
Pressão em duas frentes: fábrica e Brasília
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, enfatizou durante o ato que a categoria está organizada e pronta para intensificar as paralisações caso a mesa de negociação não apresente propostas concretas.
“Hoje nós realizamos um ato da nossa campanha salarial, mas também pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada sem redução de salário. Paramos algumas empresas para mandar um recado para Brasília e para a bancada de negociação da nossa campanha: os trabalhadores estão organizados, mobilizados e em alerta.”
— Wellington Damasceno, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Moisés Selerges, ex-presidente do Sindicato dos metalúrugicos do ANC e candidato a deputado federal participou da manifestação. Foto: Divulgação/SMABC
Justiça social e isonomia
A pauta contra a jornada 6×1 ganhou destaque na fala do dirigente, que contrapôs a rotina exaustiva da classe trabalhadora aos privilégios do meio político. Damasceno lembrou que a região do ABC já possui histórico e experiências bem-sucedidas de jornadas reduzidas, e defendeu que o benefício seja universalizado.
Recomposição salarial: Reposição pelo INPC e ganho real acima da inflação.
Direitos sociais: Renovação e ampliação das cláusulas sociais vigentes.
Jornada de trabalho: Fim da escala 6×1 e diminuição da carga horária semanal sem impacto nos vencimentos.
“Não podemos aceitar como normal que o trabalhador tenha apenas um dia por semana para descansar, se recuperar, ter lazer e conviver com a família, enquanto o Congresso pode discutir a ampliação do próprio período de recesso”, pontuou o sindicalista. “A redução da jornada e o fim da escala 6×1 são pautas de justiça e de isonomia. É preciso garantir que todas as empresas tenham condições semelhantes de competitividade e que o tempo de trabalho seja nivelado.”
Deputado estadual Teonílio Barba, candidato a releição neste ano, discursa durante manifestação de metalúrgicos em Diadema. Foto: Divulgação/SMABC
Mobilização permanente
Ao encerrar o protesto, a direção sindical reafirmou que as ações nas portas de fábrica continuarão ao longo das próximas semanas.
“Hoje é um dia frio, mas a companheirada está com o coração quente para fazer essa campanha salarial avançar e para fazer o futuro, que a luta do ABC chegue lá em Brasília e faça tremer aquele Senado”, concluiu Damasceno, ressaltando o legado histórico de lutas da região para as futuras gerações.