
Em uma agenda pública em Pernambuco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou suas críticas à administração financeira dos clubes de futebol do Brasil e ao ambiente das apostas online. Em um discurso que soou como uma cobrança, o líder do Executivo usou o Corinthians — seu time do coração — como referência para criticar os altos salários pagos a jogadores no Brasil, mencionando de forma indireta o atacante holandês Memphis Depay. O pronunciamento fortalece a posição política do Governo Federal no mesmo dia em que foi assinada a MP que proíbe as apostas no país.
Contestações sobre as despesas operacionais do futebol e menção a Memphis Depay
Ao questionar a sustentabilidade financeira dos clubes da Série A e B, o presidente citou os custos de manutenção de atletas com salários fora do padrão do mercado nacional. Sem mencionar o nome do holandês, Lula ironizou os valores investidos na contratação e nos benefícios concedidos pela diretoria corintiana ao jogador, que enfrentou um longo período de jejum de gols.
O atacante corintiano acumulava vencimentos mensais expressivos e contava com o custeio de hospedagem em um hotel de luxo na capital paulista — regalia orçada em cerca de R$ 250 mil mensais que foi rescindida pela diretoria na repactuação contratual.
Ofensiva contra o mercado de apostas e dependência dos clubes
Lula aproveitou o ato político para defender a Medida Provisória assinada nesta sexta-feira (25), argumentando que o vício em apostas esportivas compromete a renda das famílias brasileiras para financiar folhas salariais inflacionadas no esporte. O presidente reiterou que o Governo Federal atuará firmemente para interromper o avanço das plataformas de jogos no país, rebatendo a pressão exercida pelos dirigentes esportivos.
Apreensão no futebol e articulação por socorro financeiro
A publicação da MP provocou apreensão imediata entre os clubes da Série A, que têm nas casas de apostas sua principal fonte de receitas comerciais — com contratos que variam entre R$ 10 milhões e R$ 220 milhões anuais.
A Federação Paulista de Futebol (FPF) e as diretorias dos principais clubes alegam que a vedação publicitária pode paralisar as atividades do setor e inviabilizar projetos na base e no futebol feminino. Diante do cenário de incerteza até a votação da matéria no Congresso Nacional em novembro, os clubes articulam junto ao Ministério da Fazenda a abertura de linhas de crédito favorecidas por meio do BNDES para mitigar o impacto no caixa das instituições.
