
Um GCM ( Guarda Civil Municipal) de Diadema, integrante da corporação há mais de duas décadas, trocou a rotina de segurança pública no Grande ABC pelo cenário de guerra no Leste Europeu. Sergio Lisounenko, guarda civil desde agosto de 2003, atua em solo ucraniano desde 2022, logo após o início da invasão russa. O agente é descendente de ucranianos e seus bisavôs foram mortos por russos a mando do governo da antiga União Soviética, o que forçou os avôs a virem para o Brasil.
Nesta quinta-feira (19/02), um vídeo publicado pelo Centro de Recrutamento Estrangeiro — órgão oficial do governo de Volodymyr Zelensky — trouxe o depoimento do brasileiro, que agora é conhecido nas frentes de combate como Capitão Serguei.
Experiência brasileira no combate
No vídeo, Lisounenko destaca que os 30 anos de serviço na segurança pública em São Paulo foram fundamentais para sua adaptação ao conflito. Segundo o guarda, a disciplina e a capacidade de resposta desenvolvidas no Brasil são ativos valiosos na linha de frente.
“Fiquei sabendo da guerra na Ucrânia pelas redes sociais. Desde o início da invasão em grande escala, busquei uma oportunidade para vir”, afirmou o GCM na postagem. Ele ainda elogiou o suporte recebido: “Na Ucrânia, sempre há apoio — instrutores com experiência real em combate e alto profissionalismo.”
https://youtube.com/shorts/vC7jQ6t7388?feature=share
Situação funcional
A Prefeitura de Diadema confirmou que o servidor está atualmente afastado de suas funções na Guarda Municipal desde 1º de junho de 2021. A reportagem apurou que as renovações sucessivas são pelo pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A previsão de retorno é 25 de junho de 2027.
Apesar de o vídeo ter ganhado repercussão recente, a transição de Lisounenko para o exército de voluntários ocorreu logo nos primeiros meses do conflito, em 2022.
O caminho para o front
A aparição do brasileiro ocorreu nos canais oficiais do Centro de Recrutamento Estrangeiro. A instituição foi criada pelo governo ucraniano para centralizar e organizar a chegada de voluntários de outros países, garantindo que os combatentes sejam alocados em unidades militares que melhor se adaptem ao seu idioma e experiência prévia.
O centro atua como uma ponte entre o desejo de voluntários internacionais e as necessidades das Forças de Defesa da Ucrânia, que seguem recebendo estrangeiros em números recordes para conter o avanço das tropas russas.
