
Na última sexta-feira (7), o movimento negro de Diadema marcou presença no histórico Teatro Clara Nunes para acompanhar de perto a abertura da 24ª Kizomba – Festa da Raça, que tradicionalmente celebra o mês da Consciência Negra na cidade.
Na oportunidade, também foram empossados os novos integrantes do Conselho da Igualdade Racial. Os presentes ainda assistiram à estreia da exposição “Um Padê Pra Dois”, do Ateliê Teo Lima. A noite terminou nos embalos do flashback e com comidinhas de inspiração africana.
Moda afro – Na programação desta semana, oficinas de moda afro, noite do samba-rock, contação de histórias, tarde de samba e encontro de culturas negras, com o Batuque Abayomi.
Abertura e posse do Conselho – A mesa de abertura contou com representantes do governo e do movimento negro, parceiros na construção da Kizomba. Com apresentação de Jurandir de Souza, os presentes exaltaram a cultura negra, mas sem deixar de apontar os desafios oferecidos por séculos de racismo.
Pelo movimento social, Aline Costa, que oferecerá várias oficinas de moda afro sustentável ao longo do mês, representou os afroempreendedores, “pessoas que transformam saberes ancestrais em oportunidades, geram renda e inspiram novas gerações.” Ela estava acompanhada de Márcia Damaceno, do Fórum Benedita da Silva; do griô Wilson Roberto Levy; e Regina Sant’Anna, atual presidenta do Conselho.
“Diadema é uma cidade de luta e de resistência muito participativa”, explicou a presidenta. Para que as ações sejam efetivadas, é preciso fiscalizar, e estaremos acompanhando sempre para exercer esse papel do conselho, que é fiscalizar.”
Pelo governo, estavam a coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Célia Aparecida da Silva; e o diretor de Cultura Teo Lima. “Este é um momento muito especial e é importante que todos participem do conselho, principalmente seus membros titulares e suplentes. Só assim conseguiremos avançar”, afirmou a coordenadora.
Exposição – Após a posse, Teo Lima liderou a audiência em cortejo até o saguão do teatro, onde sua exposição estava montada. “Um Padê Pra Dois”, mostrava como a espiritualidade e a cultura do povo afrobrasileiro são intrinsecamente ligadas, e como os histórias e os fazeres do povo preto podem também ocupar os salões de artes.
“Quando você alimenta a espiritualidade, você alimenta o seu próprio corpo e essa é a dualidade que dá nome à exposição”, contou Teo Lima, 33, que há 32 anos vive em Diadema, onde atua como educador e artista visual. “Ela faz parte da trajetória de pesquisa do Coletivo Grattage, um coletivo de ex-alunos de escolas públicas, famílias e moradores de Diadema”.
Para Bruno Tata Kissicaragombe Ngangadembure, 18, responsável por canto e ritmo de uma das casas mais tradicionais de Diadema, da Mãe Mamet’u Dandaomirewá, é muito reconfortante poder visitar uma exposição desse tipo. “A religiosidade afro é sempre alvo de muito preconceito e a gente ver que certos espaços podem nos priorizar, pelo menos neste mês, é muito bom. Que não fique só nesse mês e que a população de Diadema compareça e descubra a riqueza da nossa cultura, culinária, história, até para nos ajudar a divulgar e combater a desinformação.”
A exposição permanece aberta ao público no Clara Nunes até o final de novembro, das 9h às 21h. A entrada é gratuita e livre para todas as idades.
*Oficina – Na terça-feira, dia 11, ocorre a Oficina de Moda Afro Sustentável, uma vivência criativa que une moda, ancestralidade e sustentabilidade. Os participantes serão convidados a customizar ecobags com retalhos de tecidos africanos. A atividade gratuita acontece no CRAS Inamar.
Também amanhã acontece a Noite do Samba-Rock, com apresentação musical com Jurandir e Mubangi no Centro Cultural Vladimir Herzog, celebrando a cultura afrobrasileira.
