Com fim da produção da Ford de S.Bernardo nesta quarta, 650 serão demitidos

Sindicato dos Metalúrgicos realizou nesta terça-feira uma assembleia na frente da fábrica; sentimento dos trabalhadores era de muita tristeza

 

Sindicato dos Metalúrgicos realizou nesta terça-feira uma assembleia na frente da fábrica; sentimento dos trabalhadores era de muita tristeza. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Com o fim da produção na Fábrica da Ford de São Bernardo nesta quarta-feira (30/10), 650 funcionários devem ser demitidos. Na manhã desta terça-feira (29/10) houve uma assembleia na frente da montadora, realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para passar a situação da empresa. O sentimento entre os trabalhadores era de muita tristeza.

Existe em andamento uma negociação para que a Caoa compre a Ford, mas não existe nada definido, apesar das tratativas que começaram em setembro, inclusive, com a ajuda do governador João Doria (PSDB). O tucano chegou a fazer uma entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes  para anunciar o início das tratativas que durariam cerca de 45 dias. No entanto, até o momento, não há uma definição por conta de empréstimos  não autorizados para o fechamento do negócio. A Caoa teria solicitado um financiamento junto ao BNDES, mas não foi liberado.

Doria afirmou que o Plano B, caso a Caoa não compre a Ford, é uma montadora chinesa adquirir essa unidade.

A situação da Ford neste ano não é nada boa. A montadora tinha 2,2 mil trabalhadores no começo de 2019, quando anunciou o fechamento da fábrica devido à saída do segmento de caminhões na América Latina. Já foram dispensados desta unidade 1,2 mil funcionários.

Tristeza

Durante a assembleia realizada nesta terça-feira, a direção do Sindicato dos Metalúrgicos afirmou que o setor administrativo da Ford será transferido,  em março do ano que vem, para a Capital Paulista, mais precisamente para a Vila Olímpia.

O clima na assembleia era de muita tristeza pelo encerramento das atividades da fábrica. “Essa é uma assembleia de despedida de cada um de vocês como trabalhadores da Ford, mas nós não desistimos dessa historia”, disse o presidente da entidade Wagner Santana da Silva, o Wagnão.

De acordo com o dirigente sindical, tudo indicava para um acordo com a Caoa, mas houve um travamento. “Estava 99% certo para o acordo se concretizar. E agora travamos nesses 1%”, lamentou.

O sindicato dos Metalúrgicos tinha, inclusive, negociado remunerações inferiores para possibilitar a absorção de pelo menos 800 ex-funcionários da Ford.