
A célebre frase que marcou a estreia política de Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, em 2010 — “Pior que tá, não fica” —, ganhou um novo capítulo nestas eleições. Dezesseis anos após se consagrar como o deputado federal mais votado do país, com mais de 1,3 milhão de votos, o humorista de 61 anos não conseguiu se reeleger e encerra uma sequência de quatro mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados.
Disputando uma cadeira de deputado federal pelo Ceará, seu estado natal, Tiririca obteve apenas 5.517 votos. O resultado frustrou os planos do parlamentar de inaugurar uma nova fase na carreira política ao se aproximar de suas origens em Itapipoca, no interior cearense.
Mudança de domicílio e nova legenda
A derrota nas urnas ocorreu em meio a transformações profundas na estratégia eleitoral do humorista. Entre 2010 e 2022, Tiririca construiu toda a sua trajetória política por São Paulo, estado que o elegeu quatro vezes seguidas. No entanto, para a disputa deste ano, decidiu transferir seu domicílio eleitoral para o Ceará.
Além da mudança geográfica, Tiririca também trocou de sigla partidária. Em novembro do ano passado, ele assinou a filiação ao PSD, deixando o PL. A relação com o antigo partido havia se desgastado publicamente em 2022, quando o humorista chegou a ameaçar desistir da candidatura após perder o número de urna 2222 para Eduardo Bolsonaro. Apesar da crise na época, recuou e disputou o pleito.
Curva descendente nas urnas
A votação inexpressiva no Ceará confirma um desgaste progressivo do apelo eleitoral do candidato. Apontado por analistas como o maior símbolo do “voto de protesto” na década passada, Tiririca viu sua base de eleitores encolher a cada pleito:
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2010 (SP): 1.353.820 votos (Deputado federal mais votado do país)
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2014 (SP): 1.016.796 votos
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2018 (SP): 445.380 votos
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2022 (SP): 71.754 votos (Menor votação entre os eleitos do estado)
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2026 (CE): 5.517 votos (Não eleito)
A aposta no Ceará representava uma tentativa de reverter essa tendência e renovar o fôlego de sua atuação parlamentar. Contudo, o fraco desempenho nas urnas interrompe, ao menos temporariamente, uma das trajetórias mais discutidas da política brasileira recente.
