Santos e outros clubes do Brasil pedem mudanças de regras na CBF. Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, com o Santos à frente, solicitaram à CBF que as punições do novo Fair Play Financeiro nacional sejam adiadas. Segundo o regulamento em vigor, a partir de dezembro de 2026, os atrasos no pagamento de dívidas não serão mais apenas alvo de advertências, mas sim serão punidos de forma rigorosa: com multas, suspensão de transferências, bloqueio de repasses, proibição de transferências, perda de pontos e, em situações extremas, rebaixamento. Os dirigentes estão solicitando que esse prazo seja estendido até o final de 2027 ou novembro de 2028.
O que causou a queda na receita dos clubes
O principal argumento das diretorias é o colapso no mercado de apostas esportivas. Uma Medida Provisória do Governo Federal suspendeu a atuação das casas de apostas no país, e o impacto nos cofres dos clubes foi imediato.
Treze dos vinte times da Série A possuem contratos com empresas de apostas, totalizando mais de R$ 900 milhões em patrocínios anuais. Só os quatro grandes paulistas — Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo — somam R$ 375 milhões nesses acordos. O Santos, por exemplo, já rescindiu seu contrato com a Novibet e só considera retomar a parceria se o cenário regulatório mudar — o que dirigentes consideram improvável. Diante do rombo, 21 clubes das Séries A e B acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP.
Por que os clubes pedem mais tempo
O futebol brasileiro acumula uma dívida histórica superior a R$ 16 bilhões. Para os dirigentes, exigir a quitação desse passivo em menos de um ano, em meio a uma queda brusca de receita, cria o risco de um “calote em cadeia” — inadimplências em série que podem afetar credores, jogadores e fornecedores ao mesmo tempo.
A crítica ao modelo atual
O Fair Play Financeiro foi criado pela CBF e pela recém-fundada Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para reduzir o endividamento crônico dos clubes e aproximar o futebol brasileiro dos padrões da UEFA. Mas os dirigentes apontam uma contradição no regulamento:
Pilar do Fair Play Financeiro
Prazo atual
Proposta dos clubes
Punições por dívidas antigas
Início em dezembro de 2026
Adiamento para 2027 ou 2028
Teto de gastos com elenco
Transição progressiva até 2028
Manter
Limite de endividamento
Adequação gradual até 2030
Manter
O argumento central é: se o teto salarial e o limite de endividamento têm prazos longos de adaptação, impor punições imediatas por dívidas antigas — justamente durante um choque de arrecadação — fere o equilíbrio do regulamento e inviabiliza a gestão da maioria dos clubes do país.