
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, ameaçou uma paralisação nacional da categoria caso o Senado não vote a Medida Provisória 1.343/2026 até o próximo dia 16 de julho. A proposta, apelidada de “MP do Frete”, endurece a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, mas está travada na Casa após ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados.
Em vídeo direcionado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Landim demonstrou indignação com a demora e atribuiu ao parlamentar a responsabilidade por uma eventual greve. “O senhor não queira deixar a MP caducar. O senhor vai segurar uma greve nacional no teu nome”, afirmou o líder sindical disse em vídeo publicado pelo portal Poder360.
A MP 1.343 foi editada pelo governo federal em março para conter o descontentamento dos transportadores autônomos. O texto torna obrigatório o registro de operações pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e pune quem contratar serviços abaixo dos valores mínimos fixados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para os motoristas, o texto é crucial para garantir a renda e a segurança jurídica da atividade.
Impasse político e alterações
O Palácio do Planalto tentou articular a votação na última semana, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a prever a análise da matéria para a terça-feira passada (7). No entanto, o texto sequer foi incluído na ordem do dia. Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que Alcolumbre segura a pauta devido à forte pressão de setores econômicos.
Durante a tramitação na Câmara, a medida sofreu modificações que suavizaram o projeto original. O relator reduziu o valor das multas para os contratantes que descumprem o piso, previu a conversão de penalidades antigas em advertências e incluiu a anistia para multas aplicadas em manifestações de 2022 — ponto que gerou forte resistência da oposição.
Queda de braço econômica
A lentidão no Senado reflete o racha entre os caminhoneiros e os setores produtivos. Entidades da indústria e do agronegócio alegam que o endurecimento das regras eleva os custos logísticos e gera insegurança jurídica.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta uma alta de até 16% nos custos do transporte de cargas caso as novas regras entrem em vigor. No mesmo tom, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou as sanções aprovadas pelos deputados, afirmando que a proposta “atropela o livre mercado”.
Se o Senado não votar a matéria até a próxima quinta-feira (16), a medida provisória perde a eficácia e as regras atuais deixam de valer, gerando ameaça de paralisações.
