
O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira (18), véspera do duelo contra o Haiti pela segunda rodada do Grupo C. O comandante italiano falou sobre a qualidade do adversário, fez autocrítica pela atuação na estreia contra Marrocos, explicou as mudanças no time e definiu o papel de Endrick no grupo.
Respeito ao Haiti e alerta sobre dificuldade
Ancelotti analisou o próximo adversário e pediu atenção redobrada.“O jogo contra a Escócia foi muito equilibrado. O Haiti mostrou qualidade física sobretudo, são muito bem organizados, sistema bastante claro, centroavante referência na frente, muito alto. Eles jogam um bom futebol com as características que têm. Temos que respeitá-los como todos os adversários. Não há partida com resultado claro, todos os jogos são muito competidos.”
Autocrítica e confiança na recuperação
O técnico admitiu que a estreia foi abaixo do esperado, mas destacou a importância da autocrítica construtiva. Ele foi perguntado sobre a pressão de ser técnico da Seleção Brasileira, mas disse que isso é uma honra. “Quero dizer uma coisa: para mim é um privilégio estar aqui, mas tenho que manejar a pressão. Tenho experiência para isso. O jogo que não foi bom contra Marrocos me deixa mais crítico, mas temos que fazer uma crítica construtiva. Lembrar que na Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo. A autocrítica da equipe foi positiva. Trabalhamos para solucionar isso e acho que vamos. Sigo confiante que seremos competitivos.”
Ancelotti só vai revelar a escalação só no dia do jogo
Ancelotti revelou que só comunicará os titulares aos jogadores na sexta-feira (19), antes da partida.
“Vou comunicar aos jogadores amanhã. Não teria problema em falar antes, mas prefiro falar no dia do jogo. Futebol não tem segredo.”
Mudanças por desgaste físico, não por desempenho
O italiano explicou que as alterações no time serão motivadas pela condição física dos atletas. Ancelotti também disse que os cartões amarelos podem ser relevantes para as mudanças.
“Os cartões podem influenciar no jogo seguinte, e essa é a razão para que mudei os jogadores no primeiro tempo contra Marrocos. Faremos mudanças sim contra o Haiti, mas por alguns jogadores estarem mais frescos que outros. O pensamento comum da equipe é que podemos fazer melhor e vamos fazer melhor.”
A diferença entre Igor Thiago e Matheus Cunha
Ancelotti detalhou as características de seus centroavantes e falou sobre a expectativa em torno do jovem atacante Endrick.
Segundo o treinador, o fato dele ser maduro e ter um entorno muito paciente também agrega para ele ser um grande jogador no futuro.
“Matheus Cunha é mais associativo, tem mais qualidade de meia-ponta, diferente de Igor Thiago, que é um centroavante alto, forte, de referência, muito agressivo e forte nos duelos.Endrick não é um nem outro, é outra coisa. É um talento extraordinário. O Brasil vai aproveitar suas qualidades tanto nesta Copa como nas próximas. Ele é paciente e não tem pressa. É muito maduro para a idade, e isso é um aspecto muito importante. Sua família no entorno é muito paciente também. Vamos colocá-lo no momento correto.”
Identidade múltipla: “Não quero só uma”
Ancelotti encerrou falando sobre a filosofia de jogo que deseja implantar.
“O Brasil tem várias identidades. Eu não quero só uma. Quero que minha equipe faça muitas coisas: defender em bloco baixo, atacar, ser agressiva na frente, aproveitar a qualidade dos jogadores. Não quero uma identidade clara, quero uma equipe que saiba fazer muitas facetas do futebol.”
O que esperar
O Brasil enfrenta o Haiti nesta sexta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. Ancelotti deve promover mudanças no time titular, mas só confirmará a escalação momentos antes do apito inicial.