
O primeiro escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva passou por uma transformação profunda neste fim de semana. Ao menos 17 ministros deixaram suas funções para cumprir o prazo de desincompatibilização, que exige a saída de ocupantes de cargos públicos seis meses antes do pleito para que fiquem aptos a disputar as eleições de outubro.
O movimento consolidou nomes de peso na corrida eleitoral, como Fernando Haddad, que deixa a Fazenda com foco no governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, exonerado da Indústria e Comércio para se dedicar à chapa de reeleição como vice-presidente.
Continuidade Administrativa
Em reunião ministerial realizada na última terça-feira (31), o presidente Lula reforçou que a prioridade desta reforma foi a manutenção técnica. Em vez de buscar novos nomes no mercado político, o governo optou por efetivar secretários-executivos.
“Fiz essa opção para permitir que os trabalhos em andamento nas pastas tenham continuidade”, afirmou o presidente durante o encontro.
As Principais Mudanças
Abaixo, confira os nomes que assumem os ministérios estratégicos após a saída dos titulares:
| Ministério | Quem sai | Quem entra | Destino Político |
| Fazenda | Fernando Haddad | Dario Durigan | Governo de SP |
| Casa Civil | Rui Costa | Miriam Belchior | Senado (BA) |
| Indústria e Comércio | Geraldo Alckmin | Márcio Elias Rosa | Vice-presidência |
| Planejamento | Simone Tebet | Bruno Moretti | Senado (SP) |
| Meio Ambiente | Marina Silva | João Paulo Capobianco | Senado (SP) |
| Educação | Camilo Santana | Leonardo Barchini | Política no Ceará |
| Relações Inst. | Gleisi Hoffmann | Marcelo Costa (Interino) | Senado (PR) |
Casos Especiais
Um movimento que chamou a atenção foi o de André de Paula. Diferente dos demais, ele não deixou o governo para concorrer, mas foi remanejado da Pesca e Aquicultura para assumir o Ministério da Agricultura e Pecuária, substituindo Carlos Fávaro, que tentará a reeleição ao Senado pelo Mato Grosso.
Nas pastas de representatividade, como Igualdade Racial e Povos Indígenas, as secretárias-executivas Rachel Barros de Oliveira e Eloy Terena assumem, respectivamente, os lugares de Anielle Franco e Sônia Guajajara, que buscam cadeiras no Legislativo.
O prazo oficial para o afastamento termina neste sábado (4). A partir de agora, o governo entra em uma nova fase, focada na entrega de obras e gestão técnica, enquanto o núcleo político se volta definitivamente para as articulações eleitorais.
Além de ministros de Estado, a regra de afastamento é rigorosa e atinge diversas esferas do poder público:
Com o prazo final se aproximando, a expectativa é de que novos nomes sejam anunciados no Diário Oficial até o final da semana, consolidando a reforma ministerial forçada pelo calendário das urnas.
