
A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) encerrou, nesta terça-feira (3/2), a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, crime que chocou a Praia Brava no início do ano. O inquérito policial apontou o envolvimento de adolescentes no ataque, resultando no pedido de internação de um dos jovens e no indiciamento de três adultos por coação de testemunhas.
A Investigação e as Provas
Para elucidar o caso, a PCSC montou uma força-tarefa que analisou mais de mil horas de gravações provenientes de 14 equipamentos de monitoramento. O uso de um software francês de alta precisão foi determinante para confirmar a localização do principal suspeito no momento das agressões.
Segundo o relatório policial, o adolescente apontado como autor caiu em contradição durante os depoimentos. Embora tenha afirmado que não saiu do condomínio onde estava hospedado — alegando ter permanecido na área da piscina —, imagens de segurança revelaram que:
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Às 5h25: O jovem saiu do condomínio.
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Às 5h30: Horário estimado do ataque ao animal.
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Às 5h58: O adolescente retornou ao local acompanhado de uma amiga.
Além dos vídeos, as roupas utilizadas pelo jovem no dia do crime foram identificadas nas filmagens e apreendidas. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes foram investigados ao longo do processo.
O Crime e o Legado de Orelha
Orelha era uma figura emblemática da Praia Brava, onde vivia há pelo menos dez anos. Cão comunitário dócil, ele era conhecido por acompanhar pescadores e posar para fotos com turistas.
Na madrugada de 4 de janeiro, o animal foi atingido por uma “pancada contundente na cabeça”, possivelmente causada por um chute ou objeto rígido, conforme laudo da Polícia Científica. Ele chegou a ser resgatado por moradores, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.
Defesa Alega Inocência
Em nota oficial, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, que representam o adolescente, contestam as conclusões da polícia. A defesa afirma que o jovem foi “indevidamente associado ao caso” e que as provas apresentadas são “meramente circunstanciais”.
Os advogados criticaram o que chamam de “politização do caso” e afirmam que a investigação é frágil e inconsistente. A defesa também protestou por ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito e reiterou que busca a “demonstração da inocência” do cliente.
Devido ao envolvimento de menores de idade, o processo tramita em segredo de Justiça, conforme informado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
