
Em discurso marcado por duras críticas à administração anterior, o prefeito de São Caetano do Sul levantou suspeitas sobre os contratos de exames laboratoriais celebrados até o final de 2024. As declarações foram dadas durante a solenidade de inauguração da nova base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Segundo o chefe do Executivo municipal, após a realização de uma nova licitação para a prestação de serviços de exames clínicos na rede municipal — balizada pelos números oficiais herdados da gestão passada, que previam o volume de 225 mil exames mensais —, a empresa vencedora solicitou a devolução do contrato. O motivo alegado pelo laboratório foi a impossibilidade de atingir a meta estipulada, uma vez que a demanda real da população não ultrapassava 175 mil exames ao mês.
“As pessoas continuam frequentando as UBSs, mantemos os pacientes internados e os atendimentos no pronto-socorro normalmente, mas realizamos 50 mil exames a menos por mês do que o registrado até dezembro de 2024”, afirmou o prefeito. Ele determinou que a equipe da Secretaria de Saúde apure onde eram computados ou para onde eram destinados esses 50 mil exames excedentes faturados no passado.
Economia e revisão contratual
Além de questionar o volume de procedimentos registrados na gestão anterior, o prefeito destacou que o processo de auditoria e renegociação dos contratos da pasta tem gerado reduções expressivas de custos para os cofres públicos, com quedas de no mínimo 30% nos valores praticados em relação a 2024.
O prefeito enfatizou que a otimização dos recursos públicos é o fator determinante para a melhoria dos indicadores de saúde do município e para entregas de infraestrutura como a nova base do SAMU. “É dessa forma que vamos continuar trabalhando, priorizando a gestão correta dos recursos para entregar uma saúde pública de qualidade”, concluiu.
Sindicância e apuração
Em entrevista concedida logo após a solenidade, o prefeito reforçou a gravidade dos fatos e pontuou que os contratos anteriores eram ” superestimados”. “De alguma maneira, 50 mil exames sumiram esses anos todos. Não é possível que a gente tenha diminuído a quantidade de exames nem a população tenha diminuído”, enfatizou.
Questionado sobre quais medidas seriam adotadas, o chefe do Executivo confirmou a abertura de investigações administrativas: “A sindicância interna está aberta e já estamos averiguando isso dentro da Secretaria de Saúde. Agora, os outros órgãos é que têm que pensar no que vão fazer”, afirmou.
Economia nos contratos
Além da discrepância no volume de exames, o prefeito ressaltou a renegociação geral nos custos da pasta, afirmando que qualquer contrato revisado pela gestão atual apresenta redução de no mínimo 30% em relação aos valores praticados anteriormente. Segundo ele, a otimização dos recursos públicos é o que viabiliza a entrega de melhorias estruturais, como a própria base do SAMU.
