
A Prefeitura de São Paulo notificou a concessionária A2 Transportes para que afaste, no prazo de 24 horas, dois de seus diretores — identificados como Paulo Sirqueira Korek (presidente do Água Santa) Farias e Júlio — envolvidos na Operação Vectura Corrupta. A investigação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em conjunto com a Polícia Civil a partir de um inquérito de São Bernardo do Campo, apura a infiltração da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e contratos públicos da região.
A determinação foi anunciada pelo prefeito Ricardo Nunes após reunião com um comitê de crise formado pela Secretaria de Transportes, SPTrans, Procuradoria-Geral do Município e Controladoria-Geral. Caso a empresa não cumpra a exigência de desligamento no prazo estipulado, o município decretará intervenção na A2. A medida ocorre de forma preventiva, uma vez que os dois dirigentes também mantêm participação societária na empresa Translíder (que atua em Cubatão e não opera na capital), citada diretamente em decisões judiciais.
Prisões e desdobramentos políticos
A Operação Vectura Corrupta cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão na Capital, Grande ABC e Litoral. A ação mira uma rede que conecta agentes públicos, empresários e figuras políticas:
• Milton Leite (União Brasil): O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo teve o mandado de prisão expedido e passou a ser considerado foragido pela Polícia Civil após não ser localizado em sua residência. Por meio de nota, o ex-parlamentar negou acusações, afirmou estar em viagem e declarou que se apresentará às autoridades dentro do prazo de 24 horas para provar sua inocência.
• Levi dos Santos Oliveira: Ex-presidente da SPTrans e ex-secretário, foi preso durante as diligências da manhã.
• Paulo Sirqueira Korek Farias: Apontado pelas investigações como “testa de ferro” no gerenciamento das empresas A2 e Translíder, além de ser presidente do Esporte Clube Água Santa.
• Danilo Marco Morgado Silva: Ex-candidato no litoral paulista, também entre os detidos na operação.
Garantia de operação e fiscalização
O prefeito ressaltou que a decisão judicial de momento não bloqueia o funcionamento regular das linhas da capital e garantiu a continuidade do serviço para os cerca de 7 milhões de passageiros diários.
A administração municipal enfatizou que não há risco de descontinuidade ou paralisação na frota e reafirmou o rigor no acompanhamento das apurações, mantendo a postura adotada em ações anteriores — como nas intervenções e declarações de caducidade aplicadas às empresas Transwolff, Upbus e Transunião.
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