
Um homem de 21 anos foi preso em flagrante pela Polícia Civil acusado de se passar por cirurgião-dentista e operar uma clínica odontológica clandestina no Centro de Santo André. A ação ocorreu após investigações apontarem que o suspeito se aproveitava do nome e das fichas de clientes de um antigo dentista da região para atrair pacientes, realizar avaliações, aplicar procedimentos e cobrar quantias expressivas em um CNPJ registrado como empresa do ramo alimentício.
Além do flagrante pelo exercício ilegal da profissão, alteração de produtos medicinais e crimes ambientais, o homem — identificado como Marcelo Nascimento Cardoso — teve um mandado de prisão temporária por estelionato cumprido pela equipe policial no local.
Cenário de insalubridade e risco à saúde pública
Durante a vistoria realizada no consultório, situado na Rua Bernardino de Campos, os agentes da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária encontraram condições extremas de insalubridade. A clínica não possuía sequer água corrente nas torneiras e acumulava sujeira, instrumentos sujos sem higienização adequada, ampolas descartadas de forma irregular e restos de alimentos próximos às cadeiras de atendimento.
A perícia e os fiscais sanitários também identificaram a ausência de alvará de funcionamento e a falta de detergente enzimático, produto indispensável para o processo de esterilização do material. Na clínica, foram apreendidos insumos e produtos terapêuticos vencidos, sem identificação ou importados sem registro legal no país. Diante dos riscos concretos de infecção e transmissão de doenças, o local foi interditado imediatamente.

Pacientes eram induzidos ao erro com falsas identidades
No momento da abordagem policial, dois pacientes aguardavam na clínica. Uma das vítimas relatou ter pago R$ 500 de entrada (de um orçamento total de R$ 5.000 para implantes) após ser atendida por Marcelo, que usava o título de “Doutor”. Ela desconfiou do golpe após o pagamento ser direcionado a uma empresa de alimentos e ao descobrir, na clínica de radiografia, que o falso dentista usava indevidamente os dados do antigo dono do consultório para pedir exames.
Outra vítima, cliente há mais de dez anos do antigo dentista do local, contou que foi recebida por Marcelo — que dessa vez se apresentou com o nome falso de “Dr. Pedro”. O idoso chegou a sentar na cadeira odontológica e teve uma massa de resina aplicada em sua prótese pelo investigado para cobrir o orifício de um parafuso. Ele só descobriu que o homem não tinha formação técnica com a chegada dos policiais.

Investigações continuam
Um funcionário do local, que atuava na recepção, alegou em depoimento saber que o patrão não era formado em Odontologia, mas disse acreditar que cirurgiões habilitados fizessem as intervenções. Ele foi ouvido e liberado, mas sua participação no esquema seguirá sob apuração.
Ao ser interrogado na delegacia, Marcelo optou por permanecer em silêncio. Os celulares dos envolvidos foram apreendidos para perícia com o intuito de verificar a extensão do prejuízo financeiro e identificar novas vítimas de fraudes e empréstimos não autorizados. O detido permanece à disposição da Justiça para audiência de custódia.
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