
No mesmo dia em que a Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo de 2026, o atacante Endrick mostrou que sua maturidade vai muito além dos gramados. Em entrevista à revista Quem, o jovem de 19 anos falou sobre valores, julgamentos e o legado que pretende deixar — dentro e fora de campo. As declarações ganham ainda mais peso num momento em que o jogador é frequentemente comparado a atletas de estilo de vida extravagante.
“Não posso julgar ninguém”
Sem apontar dedos, Endrick preferiu o caminho da reflexão. “Eu não posso julgar o comportamento de ninguém. Cada pessoa cresceu em um lugar diferente, com pessoas diferentes, com exemplos diferentes. Eu busco cuidar das pessoas que estão do meu lado, de quem cuidou de mim, e ser um bom exemplo para outras. Meus pais me ensinaram isso.”
Ele também fez uma defesa silenciosa dos milhares de profissionais anônimos do futebol. “Tem muitos bons exemplos no futebol. São milhares tentando fazer sucesso, trabalhando muito, abrindo mão de muita coisa, mas isso não chama atenção das pessoas, e esses bons exemplos acabam esquecidos, porque nem sempre eles chegam onde está a televisão, os jornais.”
Um estudante de história
Fora de campo, Endrick cultiva um hábito raro para um atleta de sua idade: mergulhar na história dos clubes, cidades e estádios por onde passa — curiosidade que já gerou brincadeiras quando citou Bobby Charlton. “Eu estudo as coisas como posso. A história dos clubes, das cidades deles, dos grandes jogadores, dos estádios. Aproveito as viagens, assisto a vídeos, leio algumas coisas. Hoje não é difícil aprender um pouco sobre os lugares, sobre as pessoas. Isso é importante no futebol. Saber para onde a gente vai. Do que eles gostam. Quem se saiu bem lá. Eu gosto muito de História.”
A herança que Endrick quer deixar
Prestes a ser pai, o atacante já sabe qual lição fará questão de transmitir. “Pode ser ganhando o dinheiro que for, você vai ser cobrado se quiser ser um dos melhores. Eu não sei qual vai ser a carreira do meu filho, mas se ele quiser estudar nas melhores universidades, criar alguma coisa nova, ser premiado, ser reconhecido, vai ter que se esforçar, abrir mão de muita coisa, de tempo.”
E arrematou com a frase que resume sua filosofia: “O dinheiro traz segurança, traz conforto, ajuda com muitas coisas, mas não compra o reconhecimento das pessoas. O que vou ensinar a ele é que ninguém vai aplaudir ele pelo que ele tem, mas só pelo que ele fizer.”
