
A pressão sobre o técnico Roger Machado no São Paulo atingiu níveis críticos após a nova derrota no Brasileirão, neste sábado (18), para o Vasco. Aliados do presidente Harry Massis no Conselho Deliberativo já defendem abertamente a demissão do treinador, por considerarem improvável uma reação do time sob seu comando. No entanto, a decisão esbarra em questões políticas e financeiras que vão muito além das quatro linhas.
O escudo de Rui Costa
O principal — e talvez único — pilar de sustentação de Roger no cargo é o executivo de futebol Rui Costa. Com quem já trabalhou em outras oportunidades, Costa tem bom relacionamento com o treinador e é seu defensor ferrenho dentro do clube.
Uma eventual demissão de Roger Machado escancararia uma ruptura entre a presidência e o departamento de futebol. Rui Costa ficaria totalmente desprestigiado, o que poderia levá-lo a pedir demissão ou até mesmo ser demitido por Massis. Esse cenário geraria custos adicionais indesejados ao clube — tanto com a multa rescisória do executivo quanto com a contratação de um novo nome para a função.
Os freios para a troca imediata no São Paulo
Harry Massis avalia que este é o pior momento possível para uma mudança radical. Os argumentos para segurar a demissão são práticos:
- Falta de tempo: Até a pausa da Copa do Mundo, não há uma semana livre para treinos. Um novo técnico chegaria para “apagar incêndio” sem conseguir implementar seu estilo de jogo.
- Custo financeiro: Além de arcar com a rescisão de Roger, uma eventual saída de Rui Costa pesaria ainda mais nos cofres.
- Impacto político: Massis ocupa um mandato-tampão e não tem força política para impor uma troca tão profunda sem desgaste.
As Copas como sentença final
Por ora, Roger Machado segue no cargo. A dupla Rui Costa e o próprio treinador conseguiu convencer a presidência a “esticar a corda”. Mas o cenário mudou: a partir de agora, os resultados nos torneios eliminatórios terão peso decisivo. A estreia na Copa do Brasil, na próxima terça-feira (22), contra o Juventude, no Morumbis, é tratada como um ultimato velado. Um tropeço pode selar a saída do técnico.
O estado de espírito de Roger
Apesar de o cerco se fechando, Roger Machado não pensa em entregar o cargo. Frustrado com a pressão constante, o treinador acredita que ainda é possível dar a volta por cima e reverter a desconfiança com resultados dentro de campo.
