22 de outubro de 2021

Vereadora Bruna Biondi considera caso Saul Klein como exploração de mulheres

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Parlamentar diz que candidato a vice-prefeito em São Caetano. em 2020, ao assumir ser sugar daddy, deixava jovens em situação de dependência financeira

 

Empresário Saul klein é investiga pelo Ministério Público após denuncia feita por mulheres. Foto: Reprodução

 

A vereadora mais jovem da atual legislatura no ABCD, com 21 anos, Bruna Chamas Biondi (Psol), que encabeça o mandato coletivo Mulheres por Mais Direitos, se posicionou sobre o caso Saul Klein, filho do fundador das Casas Bahia, e candidato a vice-prefeito na chapa da Fabio Palacio (PSD) nas últimas eleições. O empresário é investigado em processo movido por 32 mulheres que o acusam de estupro durante festas em sua casa e no seu sítio. A defesa nega e justifica que ele é um sugar daddy, termo usado para homens mais velhos que tem fetiches por bancar financeiramente jovens  em troca de afeto ou relação sexual.

“Em relação à exploração sexual, mesmo que o caso seja como o que afirmam os advogados, em que o acusado exerceria o papel de “sugar daddy”, ainda vemos como uma situação de exploração de mulheres. Ainda que aparente ser algo mais simples do que a prostituição em si, essa prática coloca mulheres jovens e em necessidade financeira dependentes dos desejos de homens em posição de poder”, afirmou Bruna.

Objetos

Para a parlamentar, as mulheres foram usadas como objetos e também ressaltou que o fato da  exibição no programa Fantástico, da Rede Globo. “Essa é uma situação que se insere perfeitamente na lógica de poder do homem branco e rico, em que o corpo e a aparência física das mulheres viram objetos para satisfazê-los. Agora, é importante dizer que esse caso, por toda a complexidade da denúncia, da projeção no Fantástico, salta aos olhos”, disse Bruna ao acrescentar que ele é um exemplo de homem que comandam o poder há anos.  “Uma elite política de homens que, por terem poder e dinheiro, acham que podem fazer o que querem com as pessoas e, principalmente, com nós mulheres”, completou.

 Entenda o caso

O Ministério Público investiga a denúncia feita por 14 mulheres, em novembro do ano passado, por aliciamento e estupro. Em 2020, a Justiça autorizou medida protetiva às mulheres e reteve o passaporte do empresário, o impedindo de se aproximar das supostas vítimas.

Em 2 de novembro de 2020, durante o período eleitoral, o ABCD Jornal foi o primeiro veículo de comunicação a publicar reportagem que mostrava uma certidão apresentada à Justiça Eleitoral de São Caetano em que citava Saul Klein (PSD), então candidato a vice-prefeito na Chapa de Fabio Palacio, como “averiguado” em inquérito policial cujo assunto foi “favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável”.

Em fevereiro deste ano, outras 18 mulheres pediram para serem incluídas na ação movida pelas 14 mulheres, mas juiz Fábio Calheiros do Nascimento, da 2ª Vara Criminal de Barueri, revogou todas essas medidas protetivas em 2 de março.

Segundo as denúncias investigadas pelo Ministério Público, desde 2008 Saul Klein realizava festas que duravam dias e reuniam dezenas de garotas na residência do empresário, em Alphaville, e também em seu sítio, em Boituva.

As mulheres afirmam que eram estupradas e que eram obrigadas a manter relações sexuais com Klein sem o uso de preservativos e que recebiam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil por semana.

Os advogados de defesa têm negado os estupros e afirmam que Saul Klein era um  “sugar daddy”. A defesa alega que todas as relações sexuais eram consensuais.

O caso tem ganhado projeção nacional. Além do Fantástico, da Rede Globo, o UOL, do grupo Folha, tem publicado uma serie de reportagens. Outros sites como Veja, Isto é, Metrópoles, entre outros também divulgaram matérias.

Após o escândalo, Fabio Palacio usou suas redes sociais para afirmar que Saul Klein deixou suas funções políticas, esportivas e administrativas para dedicar à defesa e que não participará de eleições.

Poder Legislativo

 

Mais de 16 proposições focadas para as mulheres foram protocoladas na Câmara pelo mandato coletivo Mulheres por Mais Direitos. Foto: Divulgação

 

Ao ser questionada o que a Câmara tem feito para defender mulheres que sofrem abusos de qualquer natureza, a vereadora Bruna Biondi afirmou que as casas legislativas são instrumentos muito importantes para o combate à violência contra a mulher e, por isso, várias proposituras têm sido protocoladas.

“É nosso papel criar leis e políticas que garantam a formulação de uma cultura social menos machista e que garanta a vida das mulheres. O mandato coletivo das Mulheres por + Direitos se formou com esse intuito, construir, dentro e fora da Câmara uma São Caetano para as mulheres, junto com as mulheres. Por isso, neste mês de março que temos o dia Internacional de luta das mulheres protocolamos mais de 16 proposições focadas para as mulheres”, afirmou.

De acordo com Bruna, entre as proposituras estão o Disk 180, um projeto de lei para tornar obrigatória a fixação de placas com o disk denúncia em estabelecimentos da cidade. Outra matéria protocolada e batizada como  “Não é Não”, tem o intuito de garantir uma campanha de enfrentamento ao assédio e a violência sexual.

Outra projeto em tramitação é o “Maria da Penha nas escolas”, cuja finalidade é educar futuras gerações e proteger as atuais. Entre as matérias também está a indicação para a criação de Casa Abrigo na cidade. “É um  importante mecanismo de proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade”, explicou.

Quem é Bruna Biondi.

Bruna Biondi tem tido posição marcante e de resistência na Câmara. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

 

Bruna Chama Biondi  é vereadora mais jovem do ABCD. Com 21 anos, além de encabeçar o mandato coletivo Mulheres por Mais Direitos, é de um partido de esquerda. Ao assumir a Câmara em janeiro deste ano,  já mostrou que terá posição marcante e de resistência.

Eleita com 2.101 votos na eleição do ano passado, terceiro melhor desempenho em São Caetano, foi eleita para compor a Mesa Diretora da Câmara encabeçada por Tite Campanella (hoje prefeito em exercício), mas renunciou ao cargo por questões ideológicas.

Ela é estudante de Gestão de Políticas Públicas na EACH (USP), militante do coletivo Juventude por + Direitos e secretária geral do PSOL São Caetano.

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