
A confirmação oficial da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) do desenvolvimento do “El Niño” de forte intensidade para o decorrer de 2026 colocou centros meteorológicos e o setor de Engenharia em alerta máximo no Brasil e no mundo. O fenômeno, marcado pelo aquecimento excepcional e já consolidado das águas do Oceano Pacífico Equatorial, passa a exigir a aplicação imediata de soluções estruturais para mitigar o risco iminente de enchentes, deslizamentos e secas extremas.
O Alerta e a Evolução do Cenário
O cenário mudou rapidamente desde maio, quando a NOAA estimava em 82% a probabilidade de o fenômeno se consolidar. Hoje, a consolidação já é um fato, deslocando o debate técnico exclusivamente para a sua escala de força.
Risco Histórico: No relatório oficial divulgado nesta quinta-feira (11), o órgão declarou o evento como oficialmente ativo e apontou um risco de 63% de que ele atinja uma magnitude histórica, equiparando-se às maiores anomalias climáticas observadas nos últimos 76 anos.
Impactos Esperados no Brasil
Os reflexos do El Niño costumam variar conforme a região e o ambiente afetado. A atuação integrada das Engenharias, Agronomia e Geociências é fundamental para mapear essas sensibilidades e orientar políticas públicas.
Por Região:
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Sul: Chuvas acima da média.
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Norte e Nordeste: Chuvas abaixo da média.
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Sudeste: Maior irregularidade das chuvas.
Por Ambiente:
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Áreas Rurais: Períodos prolongados de chuva ou seca podem comprometer o solo e o abastecimento hídrico. O maior risco é a quebra de safras, o que afeta a renda do produtor rural, gera inflação e ameaça a segurança alimentar da população.
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Áreas Urbanas: Chuvas intensas e ventos fortes podem causar alagamentos, enxurradas, queda de árvores, deslizamentos e severos danos à infraestrutura.
Soluções e a Visão dos Especialistas
Por reunir profissionais responsáveis pelo monitoramento climático, planejamento territorial, infraestrutura urbana e gestão de riscos, o Crea-SP acompanha de perto o debate técnico. Diferentes especialistas apontam os caminhos para aumentar a resiliência das cidades e do campo.
Monitoramento e Previsão Meteorológica
Carlos Raupp (Meteorologista, Prof. IAG-USP e Conselheiro do Crea-SP): Explica que as atenções agora se concentram na definição exata da intensidade do El Niño. Ele destaca que “o monitoramento antecipado é crucial para a previsão desses eventos, o que por sua vez possibilita um melhor planejamento e a adoção de planos de contingência”.
Agronomia e Conservação do Solo
Gisele Herbst Vasquez (Eng.ª Agrônoma, Prof.ª Universidade Brasil e Diretora Técnica do Crea-SP): Aponta o planejamento territorial como ferramenta vital. “Práticas como plantio direto, terraceamento e drenagem funcionam como uma espécie de esponja natural, reduzindo enxurradas, aumentando a infiltração da água e ajudando a prevenir desastres”.
Infraestrutura e Drenagem Urbana
Hassan Mohamad Barakat (Eng.º Civil, Gerente do CGE-SP e Conselheiro do Crea-SP): Alerta para a vulnerabilidade de encostas urbanizadas e margens de rios. Ele reforça que soluções de engenharia — como sistemas de drenagem bem dimensionados, piscinões, infraestrutura verde e recuperação de várzeas — ampliam a capacidade de escoamento. Além disso, destaca a importância do mapeamento de áreas de risco utilizando imagens de satélite, geotecnologias e análises geológicas.
Engenharia Estrutural e Edificações
Joni Matos Incheglu (Eng.º Civil, Prof. Universidade de Mogi das Cruzes e Coordenador do Comitê de Engenharia Condominial do Crea-SP): Adverte sobre o impacto de ventos extremos nas edificações. “Quando a velocidade do vento dobra, a pressão sobre a fachada quadruplica”, revela. Ele defende a revisão dos critérios de projetos no país, adotando normas mais rigorosas de resiliência, semelhantes às de países que convivem com furacões, já que eventos antes considerados raros agora são mais frequentes.
Sobre o Crea-SP
Criada há 92 anos, a autarquia federal é responsável pela fiscalização, controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades dos profissionais das Engenharias, Agronomia, Geociências, Tecnologia e Design de Interiores. O Crea-SP está presente nos 645 municípios do Estado de São Paulo, conta com cerca de 380 mil profissionais registrados e mais de 110 mil empresas registradas.
