Sto.André investe R$ 5 milhões para recuperar Theatro Carlos Gomes

Equipamento é tombado e está fechado desde 2008 por causa de problemas estruturais

 

Santo André investe R$ 5 milhões para recuperar Theatro Carlos Gomes. Foto: Reprodução/PSA

O prefeito de Santo André, Paulo Serra, assinou neste sábado (23/11) ordem de serviço para início das obras de revitalização do Cine Theatro Carlos Gomes. Os elementos de interesse histórico deste marco simbólico da cidade serão totalmente recuperados e o local ganhará uma nova configuração, se transformando em um espaço multiuso, polo cultural e centro de convivência.

As obras contarão com investimento de cerca de R$ 5 milhões e compreendem a reforma total, incluindo recuperação estrutural e restauro, instalações elétricas, hidráulicas, acústica, ar-condicionado, cenotecnia, reforma de cobertura e dos pisos e todas as intervenções necessárias para obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. Os recursos são provenientes da Caixa Econômica Federal, por meio do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento).

A ideia é, através de adequações físicas, seguindo os princípios contemporâneos de como intervir em patrimônio histórico construído, transformar o Theatro Carlos Gomes em um equipamento multifuncional e flexível, voltado às diversas formas de manifestações artísticas e atividades culturais, bem como promover a convivência social, e com isso, resgatar o seu papel como um polo cultural e de forte vínculo afetivo da população.

O prefeito Paulo Serra comentou o início das obras. “Além da proposta de conceito e estrutura que entregaremos até o final do primeiro semestre, pretendemos estender o calçadão da Oliveira Lima até o Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes, formando um grande Boulevard e um eixo cultural que irá incluir o Museu, que está no entorno. O centro da cidade ganhará ainda mais movimento, beneficiando o comércio, com maior circulação de pessoas”.

O projeto de recuperação do Cine Theatro Carlos Gomes, que trabalha com o conceito de praça coberta para permitir o trânsito do público, prevê a recuperação e preservação das estruturas e dos elementos protegidos pelo tombamento. Destacam-se a preservação das paredes laterais do corpo principal (plateia), bem como os ornamentos existentes (frisos e requadros), a boca de cena italiana e as paredes laterais de fundos do corpo secundário (palco e coxia).

Para a viabilização do conceito de praça coberta, a estrutura do novo Cine Theatro Carlos Gomes manterá aberturas que propiciarão ao público livre circulação, acesso às atividades culturais e também a percepção visual do espaço interno da edificação a partir dos espaços externos.

“Com muita alegria este projeto foi construído através da sociedade civil, pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André (Comdephaapasa). Sabemos que este é um espaço simbólico importante fechado há 11 anos, que agora colocamos de volta à disposição da população para uso cultural”, destacou a secretária de Cultura, Simone Zárate.

 

Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes, considerado o primeiro espaço cultural da região, foi inaugurado em 1912. Foto: Divulgação/PSA-Helber Aggio

 

História

O Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes, considerado o primeiro espaço cultural da região, foi inaugurado em 1912 pelo italiano Vicenzo Arnaldi na rua Coronel Oliveira Lima, esquina com a atual Salvador Degni. Em 1925 foi reinaugurado pela empresa Arnaldi, Masini & Gianotti na localização atual, onde foi construído um novo edifício com detalhes arquitetônicos neoclassicistas e instalado um medalhão retratando o perfil do músico Carlos Gomes.

Em 1932 passou pela primeira reforma, quando foi construído o anexo para abrigar um rinque de patinação e acesso para automóveis. Em 1947 foi construída a marquise e modificada a fachada. Outras reformas se sucederam, tanto interna quanto externamente. Fechado em 1987, foi ocupado por uma loja de tecidos e por um estacionamento, quando sua fachada foi descaracterizada. Foi desapropriado em 1991 por pressão popular e está fechado desde 2008.