A Volkswagen planeja implementar um congelamento salarial para seus 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030. As informações foram divulgadas pelo Conselho Global de Trabalhadores da montadora alemã e confirmam reportagem veiculada pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung. As informações são do portal g1.
Segundo o conselho, os planos da diretoria foram obtidos por meio de informações internas. De acordo com estimativas publicadas pelo Süddeutsche Zeitung, a ausência de reajustes até o fim da década pode resultar em uma perda de cerca de 10% no poder de compra dos colaboradores, em decorrência do impacto da inflação no período.
Além do congelamento da remuneração fixa, as novas diretrizes globais de gestão — com previsão de entrada em vigor no quarto trimestre — contemplam reduções na remuneração variável, cortes em benefícios e pagamentos extras, bem como a eliminação de postos de trabalho.
Reação dos trabalhadores e posição da empresa
A liderança dos trabalhadores reagiu criticamente às propostas. O Conselho Global de Trabalhadores classificou a medida como “absurda” e “bastante irrealista”, sinalizando que haverá forte resistência interna contra a iniciativa.
Representantes do sindicato alemão IG Metall reforçaram que medidas dessa magnitude não podem ser impostas de forma univalente. “Na Volkswagen, a evolução salarial é decidida na mesa de negociações, não por decreto da diretoria executiva”, declarou um porta-voz da entidade.
Segundo o G1, procurada para se manifestar, a Volkswagen recusou-se a comentar o que definiu como “especulações”. Em nota, um porta-voz da companhia informou apenas que uma nova rodada de negociações agendada para esta semana será o fórum adequado para discutir eventuais propostas ligadas aos custos com pessoal.
A crise ocorre em um momento de acirramento nas relações entre a alta gestão e os empregados, impulsionada pelo plano de reestruturação liderado pelo CEO Oliver Blume, considerado o mais radical da história da montadora alemã.
O ABCD Jornal procurou o Sindicato dos Metalúgicos do ABC para comentar o fato. A entidade emitiu uma nota oficial. Leia:
“O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e os outros três sindicatos que representam os trabalhadores nas demais plantas da Volkswagen no Brasil possuem um acordo com a montadora que garante estabilidade até 2028. Inclusive, trata-se de um acordo inovador, pois foi firmado em uma única negociação para as quatro plantas. Esse acordo coletivo, revalidado entre os sindicatos e a Volkswagen, garante a manutenção dos postos de trabalho e das cláusulas economias, no qual estão previstos os reajustes em data base e PLR (Participação de Lucros e Resultados) e sociais até 2028 nas quatro unidades.
Além da garantia de emprego, o acordo prevê investimentos para a modernização da fábrica e para a produção de novos veículos híbridos, reforçando a continuidade das operações no ABC.
O entendimento também estabelece mecanismos negociados, como banco de horas e layoff, para enfrentar eventuais oscilações do mercado ou períodos de transição de plataformas, sempre com o objetivo de preservar os empregos”.
