
Um mês após a morte do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa (1967-2026), sua viúva, Mila Seidl, usou as redes sociais neste domingo (1º) para compartilhar um forte desabafo sobre o processo de luto que vem enfrentando. Em um vídeo de quase dez minutos, ela expôs a rotina dolorosa e a sensação de isolamento desde a partida do marido.
“É engraçado que a vida volta ao normal para todo mundo. E mesmo aquelas pessoas que amam muito, e eu não duvido que essas pessoas amem muito, mas eu me sinto sozinha nisso, sabe? Porque, para mim, foram dias arrastados. 30 dias que eu não sei como cheguei até aqui. Não sei como sobrevivi a esses 30 dias”, desabafou Mila.
A luta contra o cotidiano e os julgamentos na web
Seidl descreveu como tarefas básicas da rotina se transformaram em obstáculos quase intransponíveis no último mês. Segundo ela, erguer-se da cama, alimentar-se e até respirar tornaram-se desafios diários superados apenas pela disciplina que aprendeu ao lado de Lito.
“Foi difícil, às vezes, respirar. Foi difícil levantar. Foi difícil comer. Foi difícil fazer tudo o que, para vocês, pareceu que foi fácil. Eu tenho muita disciplina, eu aprendi isso com Lito. Comprometimento. Mas não estava sendo fácil e eu não sou forte”, afirmou.
A viúva também abordou o impacto das redes sociais durante o período de luto, ressaltando o peso da exposição e das opiniões alheias enquanto tentava processar a perda.
“A internet cria vilões e heróis, e eu experimentei esses dois papéis. Desde que tudo começou, me colocaram no papel de vilã e também me colocaram no papel de heroína, mas eu sou só uma pessoa comum, que está sentindo a pior dor que uma pessoa pode sentir e tentando fazer de tudo para seguir adiante”, declarou.
As lembranças como alívio e dor
Em outro trecho comovente, Mila relatou como os objetos e registros deixados por Lito oscilam entre o consolo e a dor da ausência física, citando a busca constante por mensagens e objetos pessoais do influenciador.
“A lembrança é a única coisa que sobra de uma pessoa que perdeu alguém que ama. É a única coisa que sobra, você se apega muito nela. Qualquer pessoa que perdeu alguém que ama volta aí no WhatsApp para ler as últimas mensagens, para escutar os últimos áudios todos os dias”, contou.
“Olhar um porta-retrato dói muito. Olhar uma cadeira vazia que era ocupada por uma pessoa dói muito. Olhar o chinelo no lugar em que a pessoa deixou dói demais. Você vê a escova de dente que está ali e, na hora que vai escovar o seu dente, você vê ela ali.”
Trajetória
Conhecido nacionalmente por desmistificar a aviação no canal Aviões e Músicas no YouTube, Lito Sousa faleceu 41 dias após revelar publicamente o diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob — uma doença neurodegenerativa rara e progressiva que causa perda de movimentos e demência.
