
A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, o MDB dividiu formalmente o seu apoio regional. Nesta terça-feira (13), em evento realizado em São Paulo, o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) recebeu o apoio formal de 17 dos 27 diretórios (entre estaduais e o do Distrito Federal) da sigla. O movimento ocorre após o partido ter mantido neutralidade no primeiro turno — mesmo tendo ocupado três ministérios ao longo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A articulação para atrair a maioria dos diretórios emedebistas foi liderada pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Em unidades federativas como São Paulo, a aliança com Flávio já vinha desde o início da campanha; contudo, com a derrota de candidaturas do primeiro turno, como a de Ronaldo Caiado (PSD), diretórios de estados como Goiás e Rio Grande do Sul embarcaram no projeto do PL nesta reta final.
Ao todo, declararam apoio a Flávio Bolsonaro 17 diretórios:
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Sudeste / Sul: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná;
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Centro-Oeste / DF: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal;
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Norte / Nordeste: Rio Grande do Norte, Amapá, Acre, Tocantins, Roraima e Sergipe.
Ala lulista divulga nota e convoca lideranças
A movimentação em favor do PL gerou reação no MDB. Em nota conjunta, um grupo de 10 diretórios estaduais vinculados a Lula reafirmou o apoio à reeleição do atual presidente, defendendo a continuidade das políticas públicas do governo federal. Além disso, o grupo convocou lideranças do MDB a participarem ativamente da campanha petista até o dia 25 de outubro.
Composto por estados concentrados no Norte e Nordeste, o grupo abrange os diretórios de:
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Norte: Amazonas, Pará e Rondônia;
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Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí.
O texto destaca que a aliança com o petista ocorre em defesa “da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro”, alinhando-se à manutenção das conquistas sociais do país.
Discursos miram ‘democracia’ e ‘pacificação’
Durante a cerimônia em São Paulo, a defesa dos valores democráticos deu o tom do discurso do presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi. Ele destacou compromissos com a “defesa incondicional da democracia”, a “pacificação nacional”, a responsabilidade fiscal, o fortalecimento do agronegócio e a segurança pública.
— O eleitor, no primeiro turno, no dia 4 de outubro, foi às urnas e escolheu a mudança. Depositou em você a esperança de ter uma vida melhor. Por isso, estamos aqui para desejar um arranque final que, eu tenho certeza, com muita ênfase, seriedade e trabalho, teremos uma grande vitória — afirmou Rossi.
Em resposta, Flávio Bolsonaro colocou sua candidatura como “o último obstáculo para esse país não virar uma barbárie, uma terra sem lei”. O senador voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a Corte de estar “aparelhada” por indicações do governo PT e citando o que considera perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
— A partir do momento que você começa a atropelar direitos constitucionais de qualquer cidadão, a olhar a capa de um processo, ver quem é a parte e tomar decisões conforme aquela parte, para prejudicar ou para beneficiar, isso não é mais democracia. A justiça perdeu a credibilidade. E a gente tem que resgatar isso — declarou o candidato do PL.
Centrão se consolida ao lado do PL
Liderando as pesquisas de intenção de voto, Flávio Bolsonaro tem concentrado a maior fatia de apoio dos partidos do Centrão nesta segunda etapa. Além da maior parte do MDB, fecharam aliança com o liberal a federação União Progressista (União Brasil e PP), o Republicanos, o Podemos e o Novo. Ronaldo Caiado também declarou apoio individual, embora seu partido, o PSD, tenha optado pela neutralidade partidária.
Do outro lado, Lula recebeu a adesão formal de três legendas de esquerda derrotadas no primeiro turno — PSTU, PCB e UP —, que passam a compor o arco de alianças ao lado da coligação original formada por PT, PV, PCdoB, Psol, Rede, PSB e PDT.
Apoio no ABC
O primeiro suplente de deputado federal pelo MDB, Orlando Morando, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, nesta terça-feira (13), durante encontro do MDB Nacional, em São Paulo.
Morando destacou que a decisão reafirma sua trajetória de oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) e sua convicção de que o Brasil precisa de uma mudança de rumo, especialmente na segurança pública, uma das principais bandeiras de sua atuação política. “Minha posição sempre foi clara em relação ao PT. Não concordo com suas ideias nem com a forma como governa o país. Acredito que o Brasil precisa de uma mudança, com mais responsabilidade, leis mais rigorosas e firmeza no combate à criminalidade”, afirmou.
Com quatro mandatos como deputado estadual, Orlando Morando foi prefeito de São Bernardo do Campo entre 2017 e 2024 e, posteriormente, comandou a Secretaria Municipal de Segurança Urbana de São Paulo, onde coordenou as ações que resultaram no fim da Cracolândia, além de atuar na expansão do programa Smart Sampa e no fortalecimento da Guarda Civil Metropolitana.
Nas eleições de 2026, Orlando Morando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo MDB, recebeu 102.086 votos em todo o Estado de São Paulo e ficou na primeira suplência do partido.
